domingo, 17 de junho de 2018

Retrato brasileiro



Hoje é dia de jogo da seleção, o Brasil tem apenas um rosto, um retrato com quatro cores sem manipulação. Não importa o significado dessas cores, se é ouro o amarelo, se o verde é de floresta ou esperança. Mas, são as nossas cores, nosso lábaro estrelado, nossa história de trancos e barrancos, nossa alma brasileira.

  Hoje, começa mais uma luta. Não aquela travada diariamente nas ruas, em busca de emprego, saúde, educação, segurança. Mas, uma luta para vencer uma partida. Um jogo que traz uma fagulha de esperança, traz orgulho, e aquele sentimento de pátria, de nação. Jogo que personifica a cara de todos brasileiros, essa nação tão plural e gigante. Vamos em frente, não para os lados. Vamos dar méritos aos melhores, aos esforçados, e punir os culpados. Pois, é assim que os pais educam seus filhos, é assim que se constrói um povo.
Hoje, vou ficar quieto, queria apenas dar um grito, num coro de mais de duzentos milhões de vozes. Aquele grito que explode em emoção. Não sou muito de futebol, mas sei da importância de uma simples bola para levantar uma nação inteira. Um povo tão sofrido, assassinado e assaltado merece só um pouquinho de laser. Que seja pão e circo, mas seja bom. Se temos uma marca, vamos mostrar ao mundo. Pois, somos o país do futebol. Brasil mostra a tua cara!

Isaac Furtado

quarta-feira, 23 de maio de 2018

As portas da percepção


O olhar representa o sentido mais importante, pelo menos para mim e para muitos artistas. O sentido da visão é estimulado sempre e enquanto estamos acordados, sendo nossa janela, nossa percepção do mundo. Olhar que a cada dia temos que deixar mais aberto e atento às mudanças. Olhar que deve ser cristalino, sempre consciente e sereno. Discordo do livro As Portas da Percepção (The Doors of Perception), de Aldous Huxley escrito em 1954, cujo título foi inspirado em uma frase de William Blake: “Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito”. O conceito de Huxley estimulava experiências alucinatórias com drogas, como a Mescalina utilizada por muitos artistas da época com o intuito de “limpar” as portas da percepção. O meu conceito é diferente, devemos limpar as portas da nossa percepção de forma consciente, através do autoconhecimento. Com as minhas " Portas da Percepção " busco a lucidez, a criatividade cristalina e o talento como inspiradores da arte de uma maneira pura. Pois, diante dos nossos sentidos só nos restam os sonhos.
Existem outras maneiras mais saudáveis de abrir essas portas, como a meditação, a contemplação da natureza, o relaxamento e os jejuns. É exatamente fechando os olhos, afastando-se dos estímulos sensoriais (sons, cheiros, estímulos táteis) que podemos focar mais na essência das coisas. Para depois fazer a interpretação e a transmutação do interior para o exterior, abrindo assim as portas da percepção sem distorções. Pois, transformar não necessariamente implica em deformar. O mais importante no entanto, é nunca trancar as portas. Deixar o fluxo das informações fluir, deixar a passagem livre. Pois, um dia essa passagem será definitiva.

Isaac Furtado

Arte: Painel “As Portas da Percepção” é formado por quatro partes semelhantes à portas, com o total de 2.20/2.20m. Tinta Acrílica sobre madeira. 2018.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Labirintos verdes II


Alguns meses se passaram da sua última parada nas margens do rio. Após seis longos anos de estiagem, a chuva desabou dos céus aos borbotões.Trazendo vida em abundância e verdes de todos os nuances possíveis. A copa da Marizeira estava plena, dando uma sombra aprazível no banco de madeira ao lado, sempre ocupado. Apesar dos reparos e poda das árvores, a trilha estava mais estreita, pois a vegetação parecia ignorar o seu limite. Os Avencões com as suas longas palmas, pareciam querer abraçar os transeuntes. Cipós despencavam do alto, fazendo tranças e cortinas vivas. A vida parecia perfeita e incólume dentro daquela ilha incrustada no coração da metrópole. Cidade sufocada pelos males dos homens, sufocada pela intolerância, pela ignorância, arrogância, ânsia de vômito, somente aliviada pelo cheiro do mato, que aumenta à medida que penetramos os caminhos soltos do mangue. Refúgio de vida que transborda e nos ensina que - basta caminhar sereno, ouvindo os pássaros, sentindo a brisa molhada, observando as garças pescando, ouvindo o silvo dos soins. Porém, mesmo no centro do parque ainda ouvimos vestígios da civilização.

Anseio permanecer muitos anos por aqui, meditar pela trilha, caminhando através de pensamentos serenos. Sei que o tempo é implacável e, às vezes, quebra pontes sem querer. No entanto, aquele galho pesado que pende e cai depois do chuva, é apenas uma transformação, um desvio sem danos. Muito diferente das tempestades que assolam a cidade, atônita pela violência. E todos comentam - Que saudade do tempo em que ao invés de grades e muros, nós colocávamos cadeiras nas calçadas!

Isaac Furtado

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Segure firme!



O meu primeiro contato como residente com o professor Ivo Pitanguy foi no corredor da sua clínica. Eu já tinha dito que a princípio, iria apenas observar as cirurgias. Quando, de repente, fui puxado pelo braço - “Venha comigo!”. O professor chamou-me para auxiliá-lo numa cirurgia ambulatorial. Era um paciente com um tumor de ponta nasal, cirurgia feita apenas com anestesia local. Eu já estava mais nervoso do que o paciente. Era um senhor com os seus sessenta anos, com facies pletóricas, e eu pensei - Esse aí vai sangrar muito!
O professor muito educadamente me disse - “a sua função é apertar o nariz para evitar o sangramento”. E assim o fiz. Mas, de vez em quando, na minha inexperiência de R1 eu tentava limpar o campo com gazes, e o professor dizia - “segure firme!” O senhor, por momentos chegou a sorrir, talvez compadecido da minha situação de principiante. E eu, enquanto apertava o nariz, ouvia as palavras sábias do mestre. Ele, sabendo que a escritora Rachel de Queiroz era minha “prima velha”, como a mesma gostava que eu a chamasse, falou-me das histórias da Academia Brasileira de Letras e dos seus ilustres imortais. Enquanto isso, a cirurgia caminhava bem, sangramento a parte.
E eu, segurando o nariz, consegui dizer ao professor, que além de cirurgião era artista plástico. Ele logo se interessou pelo assunto e como um grande amante das artes, também deu a sua aula sobre o assunto. Falou-me de Dali e de outros grandes artistas que faziam parte do seu acervo. Por conta dessa conversa, através do Dr. Francisco Salgado, consegui logo depois uma bolsa da PUC para fazer as ilustrações cirúrgicas do professor, tanto para suas aulas, como para os trabalhos científicos.
Já rodado o retalho, eu estava mais controlado, mas ainda sem respirar normalmente. E apenas após o último ponto, quando percebi que podia soltar o nariz do paciente sem haver sangramento, consegui respirar profundamente. O professor disse - “faça um curativo compressivo”. Assim o fiz, e durante os três anos que estive no serviço, segurei muitos narizes, mamas e faces. Operei muito no terceiro ano da residência, o R3, e voltei para o Ceará com uma certeza: Quando você quer alguma coisa, você tem que segurar firme.

Isso aconteceu em fevereiro de 1993.

Texto publicado no livro Ivo Pitanguy, além do bisturi. Biografia de uma lenda; de Moises Wolfenson. 2017.


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

SHAPI

SHAPI é o acrônimo de “SAFETY, HEALTHY and AESTHETIC PHISICAL IMPROVEMENT” (melhoria física estética com segurança e saúde). Pois, a cirurgia plástica é apenas uma etapa com as Cirurgias do Contorno Corporal (Lipoaspiração, Mamoplastia, Abdominoplastia). A Dermatologia coadjuvante é fundamental para a manutenção de uma boa pele através da hidratação, proteção, solar, esfoliação e clareamento. A Preparação Física, a Nutrologia e a Psicologia, também são importantes na manutenção do peso, da beleza e para melhor compreensão do corpo sem exageros e transformações desmedidas. O SHAPI tem o compromisso com a harmonia do corpo, através da proporção das medidas, como ombro, cintura e quadril. Que , tanto nos homens, como nas mulheres tem a sua medida ideal. Evitando exageros nos tamanhos de próteses de mama, e no enxerto da região glútea. Em pacientes que fizeram a Gastroplastia Redutora e evoluíram com grande perda ponderal, também é importante a harmonia das regiões através de cirurgias bem programadas. Enfim, o SHAPI é um conjunto de orientações em prol de um corpo bonito e saudável. Cuide-se!

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

FACI



O FACI é o acrônimo de “FACIAL ANTI-AGING COMPLETE IMPROVEMENT” (Completa melhoria anti-envelhecimento facial). Pois, a cirurgia plástica é apenas uma etapa com as cirurgias de Ritidoplastia e a Blefaroplastia. Pois, a Dermatologia coadjuvante é fundamental para a manutenção de uma boa pele. A Nutrologia e a Psicologia, também são importantes na manutenção da beleza e para melhor compreensão do envelhecimento sem exageros e transformações desmedidas.
Falando da cirurgia plástica, estamos realizando procedimentos menos agressivos, mais focalizados em determinadas regiões. Como na Ritidoplastia, que hoje se mostra mais natural e restrita ao terço inferior da face e pescoço. Cirurgia que evoluiu muito, com quatro pontos principais: sem a necessidade de cortar o cabelo, cicatrizes menores, ausência de drenos, e sem a necessidade de retirada de pontos. Todo o conjunto, repercute numa recuperação mais rápida, principalmente se for realizado a drenagem linfática no pós-operatório. Normalmente, ela é associada ao uso do preenchimento facial com o Ácido Hialurônico nas rugas de expressão e na remoludação do terço médio da face (MD CODES).
A outra cirurgia do FACI é a Blefaroplastia, para o tratamento do excesso de pele e de bolsas de gordura das pálpebras. Um detalhe importante da Blefaroplastia é a realização da Cantopexia Lateral, que evita a queda lateral do olho que muda a fisionomia. Todos esses procedimentos são feitos com anestesia local e sedação. Cirurgias menos agressivas que associadas aos recursos da dermatologia determinam um tratamento efetivo da pele e do envelhecimento facial.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Regeneração Celular - NAD

O Dinucleótido de nicotinamida e adenina (NAD, acrónimo, em inglês, de Nicotinamide adenine dinucleotide) ou nicotinamida adenina dinucleotídeo ou ainda difosfopiridina nucleotídeo é uma coenzima que apresenta dois estados de oxidação: NAD+ (oxidado) e NADH (reduzido). A forma NADH é obtida pela redução do NAD+ com dois elétrons e aceitação de um próton (H+).
Quimicamente, é um composto orgânico (a forma ativa da vitamina B3) encontrado nas células de todos os seres vivos e usado como "transportador de eletrons" nas reações metabólicas de oxi-redução, tendo um papel preponderante na produção de energia para a célula.
Em sua forma reduzida, NADH, faz a transferência de elétrons durante a fosforilação oxidativa.
Em artigo publicado na revista Cell, em dezembro de 2013, pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard mostraram que é possível reverter alguns dos efeitos do envelhecimento, mediante o aumento dos níveis de NAD+ (que caem naturalmente com a idade, em todas as células do corpo).
Os pesquisadores ministraram mononucleótido de nicotinamida (NMN), um precursor do NAD+, a camundongos de dois anos. Uma semana depois da aplicação do NMN (que o organismo converte naturalmente em NAD+), os músculos desses camundongos de dois anos se tornaram semelhantes aos músculos de ratinhos de seis meses, em termos de função mitocondrial, perda de massa muscular, inflamação e resistência à insulina. Isto corresponderia a transformar os músculos de uma pessoa de 60 anos em músculos de uma pessoa de 20 anos. Embora a força muscular não tenha sido recuperada, a doutora Ana P. Gomes, do Departamento de Genética da Escola Médica de Harvard, acredita que a força muscular possa ser recuperada após um tratamento mais longo.
O método não representa uma "cura" para o envelhecimento. Outros aspectos, como o encurtamento dos telômeros (que formam a estrutura das sequências genéticas) ou eventuais danos ao DNA, não podem ser revertidos. "Parece que nós podemos começar quando já somos mais velhos, mas não muito velhos a ponto de já estarmos danificados. Se começarmos aos 40 anos, provavelmente teremos um envelhecimento muito mais agradável - mas temos de fazer testes clínicos", ponderou a doutora Gomes. Segundo ela, "o envelhecimento é multifatorial, não se trata de um componente único a ser corrigido, por isso é difícil de atingir a coisa toda". O grupo de pesquisa pretende começar os testes clínicos em 2015, mas terapias em humanos ainda são uma perspectiva distante. 
Fonte Wikipedia