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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Entrevista com Isaac Furtado sobre cirurgia plástica, arte e saúde.





Como surgiu o interesse pela cirurgia plástica?

Quando decidi fazer medicina já estava pensando na cirurgia plástica. Como artista plástico me agrada muito a ideia de construir o belo.

A quê o senhor atribui o sucesso e o respeito da sociedade com o seu trabalho?
Acredito que a dedicação, a habilidade manual e a seriedade são fundamentais.

Quais as principais dificuldades encontradas desde sua formação até hoje no âmbito profissional?
Entender que existem limitações em alguns resultados. Pois, conforme diz o Prof. Ivo Pitanguy “ o cirurgião, diferentemente do artista plástico, é escravo da anatomia.”

De que maneira avalia o atual mercado de cirurgias plásticas? O senhor acha que a excessiva popularização do segmento é um risco à área?A popularização da cirurgia plástica é consequência dos bons resultados. Já o mercado atual está muito modificado por práticas antiéticas de alguns cirurgiões ( como exposição de fotos de pacientes e muita autopromoção, o que é proibido pelo Conselho Federal de Medicina).

Profissionalmente falando, quais os próximos passos na sua carreira médica?

Esse ano estou completando 20 anos de cirurgia plástica. E ano que vem pretendo construir uma clínica, com uma equipe integrada em prol do bem estar e da beleza.

Se tivesse que arriscar uma resposta, como o senhor acha que estará o mercado de cirurgia plástica daqui a 10 anos? Alguma revolução poderá ser vista em 2025?Como pessoa, qual sua expectativa para a próxima década?A cirurgia estética é um mercado para poucos, e os resultados são lentos. É como o mercado de luxo, acredito que em 10 anos vai melhorar. Acredito que vai surgir muita coisa boa para cicatrização, decorrente de manipulação genética e nanotecnologia. Com relação as técnicas cirúrgicas apenas alguns aperfeiçoamentos e cicatrizes menores.

Parte considerável da classe médica critica de forma veemente o programa “Mais Médicos”. Qual sua avaliação sobre o tema?O médico tem que ter uma boa formação e muitas universidades não oferecem isso. Estando formado, todos procuram um bom salário e condições de trabalho razoáveis. Muitos locais do programa Mais Médicos não oferecem isso. Hoje, a maioria dos brasileiros inscritos no primeiro ano já abandonaram o programa. É uma ajuda muita paliativa.

Qual sua sugestão para uma melhoria do funcionamento da saúde pública no País?
Mais educação e menos corrupção.



O senhor integra o seleto grupo de médicos que estudaram com o professor Ivo Pitanguy. Como define a importância dele em sua carreira?
Não sei como teria sido minha formação e se eu não tivesse participado dessa escola. A filosofia do Professor Pitanguy foi um marco na minha carreira.


Sobre sua veia artística, como teve início?
Desde criança já venho pintando. É um dom que sempre me acompanhou e me ajuda na cirurgia plástica na avaliação de simetria, harmonia e proporção.


Quais artistas mais influenciaram na sua forma de se expressar?
Artistas locais eu citaria: Descartes Gadelha e Antônio Bandeira. Internacionais são muitos! Dos renascentistas, barrocos e impressionistas.


Qual o planejamento a médio prazo para sua carreira artística?
Todo ano faço uma exposição. Além dos livros de poesia. Agora como membro da Academia Cearense de Médicos Escritores, sinto-me na obrigação de divulgar mais ainda nossa cultura.


Como o senhor cuida do corpo, da saúde e da aparência? É um homem vaidoso?
Tudo na medida certa. Mantenho meu peso há mais de 15 anos. Faço atividades aeróbicas, como caminhadas e os Ritos Tibetanos, que oferecem um excelente alongamento e meditação. Vivo na “fogueira das vaidades”, mas procuro não me queimar. A vaidade tem seu ponto de equilíbrio.


De que maneira administra o tempo entre o trabalho e a família?
Faço muitas coisas durante o dia, entre cirurgias, consultório, artes visuais, literatura e família. A ordem dessas atividades altera muito.


Qual seu tipo de música preferida?
Gosto muito de jazz e bossa nova.


O que curte fazer nas horas vagas?
Tomar um bom vinho harmonizado com a gastronomia. Claro, na companhia da minha mulher.


Para finalizar, se pudesse mudar algo no mundo, o que seria?
A solução para tudo está no autoconhecimento, que alcançado através da cultura e da aceitação da nossa impermanência. Temos que aproveitar cada momento, pois, como dizia Horácio: “Carpe diem!”

Entrevista para Coluna Frisson: http://cnews.com.br/frisson/entretenimento/92752/isaac_furtado



terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Drogas


O que faz uma pessoa entrar para o mundo das drogas? O que faz uma pessoa fazer tráfico de drogas?
Falta de estrutura familiar? Influência dos amigos? Namoro? Buscar o desconhecido? Ganhar dinheiro fácil no tráfico de drogas?
Recentemente tivemos o caso do brasileiro que foi condenado e sentenciado à pena de morte por tráfico de drogas na Indonésia. Ele sabia dos riscos e não teve um final feliz. Não sou a favor da pena de morte, mas o caso nos fez refletir sobre toda estrutura que as drogas movimentam, toda violência e criminalidade que está ligada diretamente às drogas.
Mas, o que é considerado droga?
Existem as drogas lícitas como cigarro e o álcool, que são aceitáveis. O cigarro causa danos principalmente ao seu usuário, no entanto, pode ser um caminho mais fácil para o uso da maconha, que por sua vez, em alguns casos, é o primeiro degrau para outras drogas mais pesadas. E o álcool é o responsável por muitos estragos na sociedade. O excesso do uso de bebidas alcoólicas é o principal causador de acidentes automobilísticos, e muito associado a crimes banais e passionais.
As drogas são encontradas há milênios na História da Civilização. Inicialmente era usada em cerimônias religiosas, na forma de chás ou infusões. O ópio faz parte da história chinesa de longa data, e já foi causador de guerras. A Cocaína é conhecida pelos povos pré-colombianos, como os Incas, mascando suas folhas para aumentar a resistência no trabalho e combater os efeitos da altitude. Não satisfeito com as drogas encontradas na natureza, o homem começou a sintetizá-las. Nos anos setenta, muitas personalidades e artistas buscaram aventuras com drogas sintéticas, como o LSD, e muitos morreram nas suas viagens lisérgicas.
Atualmente, muito se fala da liberação da Maconha para uso medicamentoso, e até mesmo, como droga. Não acredito que seja a solução para o problema do narcotráfico. O problema seria resolvido com uma educação rigorosa aos danos causados pelo uso das drogas. E principalmente, com o combate à produção e punição severa ao tráfico. Porque então não é resolvido? O submundo da droga está infiltrado em todas as camadas da sociedade, o que dificulta muito, pois ela circula da favela à “high-society”.
A droga deixa um rastro de destruição por onde passa, arrasa lares e esperanças. Um caminho quase sempre sem volta, que interrompe carreiras de artistas, cantores e trabalhadores anônimos. Uma das mais avassaladoras drogas que foi desenvolvida recentemente, é o crack. A mais viciante das todas, dizem que na segunda vez o usuário está viciado. O crack é de grosso modo, a borra da Cocaína, e assim tem um preço muito barato, o que torna sua difusão muito fácil. O crack deixa seu usuário como um zumbi, e são famosas as Cracolândias encontradas nas grandes cidades. No interior, nas pequenas cidades, o crack também está cada vez mais presente entre jovens e pessoas desinformadas que acabam entrando na criminalidade para conseguirem se manter na droga. É o fim da linha!O que fazer então? Aos pais, recomendo ficarem de olho nos seus filhos, suas amizades e comportamentos diferentes. Aos educadores, uma orientação permanente dos males causados pelas drogas. E às autoridades, mais seriedade no cumprimento das leis, punindo todos os envolvidos nessa rede maléfica.


Publicado no Jornal Gazeta do Centro-Oeste. 01 de fevereiro de 2015.
Arte: Isaac Furtado. Do livro Caderno 47.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Pestes

A história do homem sempre foi acompanhada por catástrofes relacionadas à pestes. Mas, o que é realmente considerado uma peste? Nós, cearenses com os nossos neologismos incluímos "Cabra da Peste", com uma conotação de um homem acostumado a vencer todas as pragas (as pestes) do sertão. Mas, o que realmente é uma peste? A primeira grande peste se deu na Europa e Ásia, no século XIV (1333 a 1351) e dizimou em torno de 50 milhões de pessoas. Conhecida como a Peste Negra, ela foi uma das maiores calamidades da humanidade. Transmitida por pulgas de ratos-pretos contaminadas com a bactéria Yersinia pestis. No entanto, na época pouco se sabia de sua causa e muitos foram considerados os culpados pela epidemia, teve inclusive conotações religiosas. Outra grande epidemia foi a causada pelo Cólera. Desde o início da humanidade se tem notícia de vários surtos, mas a primeira grande epidemia foi no século XIX (1817 a 1824). A bactéria Vibrio cholerae causou estragos em muitos intestinos e suas mutações foram agravando seu quadro ao longo da história. No século XX, a Gripe Espanhola assombrou o mundo no início (1918), assim como a AIDS o fez no final do século, e ainda está aí contaminando milhões de pessoas. Outras "pestes" como a Tuberculose, a Malária e a Varíola foram e ainda são fantasmas que rodam, principalmente, os países pobres do terceiro mundo. A "peste" da vez é o Ebola, um vírus de contágio pelo toque e por secreções, que ainda está basicamente restrito à África, e nos apavora pelo seu alto grau de mortalidade. Portanto, temos que estar sempre alertas aos cuidados básicos de saúde. O simples fato de lavar as mãos já ajuda muito. O cuidado com o lixo, a contaminação da água e alimentos, tudo é importante para evitar contagio e transmissão de todos esses males. E, se você é realmente um Cabra da Peste, faça sua parte como cidadão! O planeta e os nossos herdeiros desde já agradecem!

Isaac Furtado

Arte de Marion Bolognesi

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Educação e Saúde

O estado tem como obrigação oferecer a sua população educação e saúde de qualidade. Itens indispensáveis para qualquer programa de governo. Quando ele atinge uma meta, automaticamente observamos uma melhoria na qualidade de vida e no crescimento econômico. O que não observamos no nosso país atualmente. Meu último artigo era Política e Saúde, praticamente os dois estão unidos como um só, de maneira que falar de educação é falar de política.
Recentemente assisti a um vídeo do economista Ricardo Amorim, onde ele faz um paralelo do Brasil com a Coréia do Sul. Falando da história fictícia de dois garotos de gostam muito de futebol, um Sul-Coreano e o outro Brasileiro. Ele começa uma linha do tempo que se inicia em 1960, onde os dois países têm índices econômicos semelhantes, com escolaridade parecida. Nesses 54 anos, a política de educação e saúde da Coréia do Sul fez mudanças radicais em toda estrutura do país. Conforme o Ricardo fala no texto, eles investiram em três itens: “EDUCAÇÃO, EDUCAÇÃO e EDUCAÇÃO!” No Brasil passamos por muitos desgovernos, golpes militares, supostas democracias e ascensão ao governo de partidos de esquerda. Como nosso artigo fala sobre educação e saúde, vamos aos fatos: Hoje na Coréia do Sul o número de pessoas com nível superior é maior do que 70%, e aqui somos apenas 13%. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) deles é mais do que o dobro do nosso. Então, ele termina a história dizendo que o pai do garoto coreano trabalha na mesma empresa do pai do garoto brasileiro. No entanto, ele é o chefe do chefe do pai brasileiro. E na Copa do Mundo que aconteceu aqui, a família Coreana veio toda para assistir aos jogos e conhecer o Brasil. No entanto, infelizmente a família do garoto brasileiro, que também gosta muito de futebol, não teve condições de comprar um ingresso para um jogo. Bem, a Coréia do Sul é menor do que muitos estados brasileiros. A sua vizinha, a Coréia do Norte, passa por muitas dificuldades (mas, não vamos falar de política), assim como nós, com os nossos pífios 0,3% de crescimento e a nossa saúde pública aos farrapos. Então, ligando os dois pontos, só teremos SAÚDE decente, quando tivermos verdadeiramente uma EDUCAÇÃO séria.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Paradoxo - Política e Saúde

Nas vésperas das eleições, eu fico vendo o absurdo de dinheiro gasto com as campanhas políticas, ou na compra direta de votos, principalmente no interior. De uma forma ou de outra, quase todos são comprados. Quanto vale o seu voto?
Vivemos numa nação dita democrática, pois temos dentre outras liberdades, a sublime condição de elegermos os nossos governantes. No dia da eleição é só você e a urna, mas muita história se passa entre estes dois pontos. Voltas e mais voltas, conchavos e acordos selam a sua opção. Lembro de Goethe, com o seu célebre “Fausto”. Lembro de Oscar Wilde com o seu imortal “Retrato de Dorian Grey”. Todos venderam sua alma em troca de algo. Em troca da beleza, da imortalidade, de riquezas as mais diversas. Muitas almas estão empenhadas nessas eleições. E muitos nós devem ser desfeitos para podermos dizer de peito aberto: Vivemos numa Democracia. Hoje, infelizmente, diria que estamos numa “Corruptocracia” regida por um Nó Górdio. Nó esse, que só poderá ser desfeito de duas maneiras. A primeira, Alexandre, o grande, já o fez na base da espada. A segunda é muito mais lenta e correta. Desfeita no curso de mais de uma geração. Soltando o nó com muito cuidado, às custas da educação do seu povo. Não apenas investindo na educação técnica, mas, principalmente, na educação moral e ética. Do exemplo passado de pai para filho, de governantes para governados. De outra maneira, como poderemos fazer o correto, se nós não temos exemplos para seguir? E a saúde, onde fica? Vejo em todos os discursos a mesma promessa de educação, saúde, segurança… Vejo ideologias passarem, esquerda ou direita, de nada vale quando se chega no poder. Os projetos ditos populares visam apenas uma coisa, o seu voto para as próximas eleições. Como já falei antes, não precisamos de mais médicos apenas, mas, de mais SAÚDE! E o SUS que poderia ser um grande exemplo mundial, hoje se encontra no limite da bancarrota. Todos os hospitais, de Norte a Sul, estão superlotados, com pacientes que demoram semanas nos corredores, internados de maneira sub-humana. No entanto, a saúde é o maior cabo eleitoral existente neste País. Quantas cirurgias já foram feitas na troca de votos? Quantos óculos, cesarianas e dentaduras foram barganhados? E depois das eleições tudo se acaba, tudo é esquecido, tudo é adiado para daqui a quatro anos. Enfim, eu me interrogo inocentemente: Quanto será o montante total gasto nessas eleições? Pagaríamos nossa dívida externa com esse dinheiro? Construiríamos quantos hospitais? Quantas escolas? Mas, não. Vemos apenas cavaletes espalhados pelas calçadas, com belas fotos embelecidas por Photoshop. Vemos apenas promessas desgastadas, notas de cem reais esquecidas em bolsos, parcerias fáusticas seladas na calada da noite. Saibam que, quem vende a própria alma- pode ter a certeza- um dia será cobrado, na saúde ou na doença. Será que algum dia a antinomia da Política e da Moral irá acabar? Artigo publicado no jornal Gazeta do Centro-Oeste. 16 de setembro de 2014. Imagem: trabalho de Damien Hirst

terça-feira, 6 de maio de 2014

Os juros da saúde

A nossa vida é cheia de verdades transitórias, o que hoje é tido como benéfico para nós, amanhã pode não ser. Um eterno mutatis mutandis na nossa saúde. E é fundamental estarmos informados, para fazer as mudanças na hora certa. Com relação aos alimentos, temos exemplos clássicos (como o ovo, o café, a pimenta, o chocolate, até a gordura animal), às vezes, estão por cima e outras por baixo. Os alimentos são aliados e inimigos diários, temos que aprender e como já dizia Hipócrates: “fazer do alimento o medicamento”. A banana é um excelente exemplo de muitos benefícios para nosso corpo. Ela é fonte de muita energia e sempre é utilizada por atletas durante seus exercícios. O preço da banana não faz jus ao valor que ela agrega ao nosso corpo. “O valor do amanhã” é o título de um livro que recomendo, do autor Eduardo Giannetti. Ele fala de um eterno pacto entre o tempo inexorável e o que pretendemos fazer da nossa vida. O que é melhor, viver a mil por quarenta anos, ou viver a cem por cem anos? Comer uma banana ou um sanduíche? Tudo que fazemos tem o seu preço, temos que ter consciência e atitude diante deste fato. Esse livro me foi presenteado por um tio, já com os seus oitenta anos, a quem prezo muito. Ele, dentro de suas muitas qualidades, tem um defeito, é fumante há uns sessenta anos. Os juros do prazer de fumar estão sendo cobrados dele agora, já operou um câncer e agora está prestes a operar um aneurisma abdominal. O meu tio sabe dos males do cigarro, mas ele tomou sua decisão de enfrentar os “juros” de frente. Assim como o cigarro, a obesidade e o sedentarismo vão cobrar de nós os juros daqui a alguns anos. Assim como o empréstimo feito pelo comerciante Antônio ao banqueiro Shirlock, no livro Mercador de Veneza, de Shakespeare. Onde o valor do empréstimo era meio quilo de carne retirado do devedor. Nós também pagamos com partes do nosso corpo por todos os nossos empréstimos. Nós envelhecemos a todo instante, e se vivermos muito, vamos enfrentar a senescência. Dever um pouco não faz mal a ninguém, mas é muito melhor ter saúde sobrando e emprestar, nem que seja na forma de conselhos, literalmente: vender saúde! A carga genética que trazemos é como uma herança. Alguns nascem muito ricos, muitos são pobres e carregam no seu DNA muitas doenças e patologias que podem se manifestar logo no nascimento, ou ao longo da vida. Inclusive a Doença de Alzheimer e muitos tipos de câncer são males que estão aparecendo mais, pelo simples fato de estarmos vivendo mais. Então, já nascemos devendo um preço pela nossa existência, e quanto mais vivermos, mais podemos dever os seus juros. O Banco do tempo é incorruptível, não volta jamais e cobra de todos. Não sou economista, e como médico procuro dar um bom exemplo. Alimento-me de maneira saudável, não como carne vermelha e faço caminhadas regulares com exercícios de alongamento (os Ritos Tibetanos) há mais de dez anos. E o mais importante, procuro não oscilar mais de dois quilos o peso, sem alterá-lo há uns vinte anos. O conselho está dado, os juros serão cobrados. Portanto, mantenha sua saúde em dia. Faça o tempo trabalhar para você, ser seu aliado, seu fiador!

quarta-feira, 19 de março de 2014

Nas fronteiras do cérebro

Na antiga civilização Egípcia o nosso cérebro não era muito valorizado. Tanto é que, no processo de mumificação, ele era o primeiro a ser eliminado e esvaziado pelo nariz. O coração sim, este foi por muitos séculos considerado a fonte da vida e do saber. Hoje, em pleno século XXI, estamos mais próximos do que nunca de desvendar os segredos do cérebro. Da sua anatomia já sabemos muito, da sua fisiologia estamos cada vez mais próximos de entender os processos muito delicados de como funciona a memória, do caminho das vias sensitivas e motoras até as funções cognitivas. Freud já estudou muito os nossos sonhos, e deles retirou muitas interpretações que ainda hoje são discutidas por psiquiatras e estudiosos da área. Ele foi fundo, lá no nosso inconsciente, nas memórias mais escondidas e ocultas. No século XX, muito foi descoberto do córtex, das áreas específicas como visão, fala e audição. Os processos degenerativos do cérebro, como Alzheimer e Parkinson, são cada vez mais decifrados, podendo estar ligados a genes ativados ou desativados de modo anormal. Onde medicamentos e intervenções cirúrgicas são utilizados para diminuir o avanço destas patologias. No entanto, muito ainda falta. Com o advento da computação, houve uma oportunidade de criar programas, para que possamos fazer estudos de como o cérebro realmente funcionaria. Com a cibernética e a robótica foi criada uma interface entre o homem e a máquina. Hoje, já vemos mãos biônicas que são controladas por sensores fazendo uma conexão entre neurônios e cabos elétricos. Sensores ligados à retina fazendo pessoas enxergar novamente. Exoesqueletos já estão em andamento para que deficientes possam andar. Um cientista brasileiro, Dr. Miguel Nicolelis e os seus colegas da Universidade de Duke, têm planos de fazer uma criança paraplégica dar o pontapé inicial na copa do mundo em junho. Estudos em ratos demonstram áreas da memória que brilham quando ativadas. As cores do pensamento começam a ser pintadas em uma tela maravilhosa, e o artista principal com apenas 1,4 quilo tem muito a nos encantar. Acredito que muita coisa boa ainda está por vir, que nossos neurônios façam trocas com redes de informação através de terabytes para computadores super avançados. Que back-ups da nossa memória sejam feitos, e também possamos aprender apenas nos conectando a um pen-drive, ou algo parecido. Ficção? Talvez, mas só o futuro nos dirá!

sexta-feira, 14 de março de 2014

Não somos de aço!

O aumento mais rápido dos músculos é a principal causa do uso de anabolizantes. Muitos começam apenas com suplementos alimentares que são nutrientes elaborados a partir de aminoácidos, proteínas e carboidratos. Os suplementos são apenas coadjuvantes e só trazem benefícios quando associados à atividade física e boa alimentação. E mesmo os suplementos devem ser orientados por um profissional de saúde, pois em excesso, podem causar danos no fígado. Uma dieta rica em proteínas se faz necessária quando a atividade física é intensa. Para pessoas que procuram um corpo definido e normalmente fazem musculação diariamente, o resultado chega a determinado ponto em que não veem mais aumento dos músculos, ou veem outras pessoas com uma musculatura mais definida e maior. Então, elas partem para outros recursos, como o uso de anabolizantes, para obter um crescimento maior dos músculos. O nosso organismo funciona com um delicado equilíbrio entre os sistemas endócrino, neurológico e imunológico. Os anabolizantes são hormônios esteroides, e um aumento pequeno de um hormônio pode causar outras alterações mais graves no corpo. Logo, quando uma pessoa ingere ou injeta alguma substância com o intuito de conseguir aumento muscular, com certeza, terá muitos malefícios. Alguns deles para ambos os sexos, como pressão alta, podendo levar a um AVC (acidente vascular cerebral, o derrame); tumores que são estimulados pelos hormônios (na mama, próstata e no fígado), perda de cabelo; alteração nos ossos do crânio; aparecimento de acnes. Nos homens existe a hipertrofia de próstata, atrofia de testículos, aumento das mamas (ginecomastia) e diminuição da libido. Nas mulheres, o aumento de pelos, a voz mais grossa, o ciclo menstrual desregulado ou ausente. Logo, os efeitos adversos e colaterais devido ao uso de esteróides anabólicos vão aumentando conforme o aumento das dosagens e como num ciclo vicioso, tornando-se cada vez mais necessários e devastos. Os efeitos fisiológicos benéficos na musculatura não justificam o uso dos anabolizantes quando olhamos o organismo como um todo. Não recomendo em nenhuma. Arte: Park Seung Mo

sábado, 11 de janeiro de 2014

Saúde!

Todo ano desejamos o mesmo: muita saúde, dinheiro no bolso... Mas, a saúde é o realmente importa. E como vai a sua? Quais os seus planos para melhorá-la no próximo ano? Muitos quilos para perder? Começar uma atividade física? Pois bem, faça tudo junto e misturado, faça aquilo que ninguém pode fazer por você! Faça com que o próximo ano e o tempo corram a seu favor. Para isto dizemos que a atitude pró-ativa é fundamental. Para começar pergunte a você mesmo, o que está faltando? O que está em excesso? Eu já sei a resposta e você também. Então, o que você está esperando para que 2014 faça a diferença? Vivemos num mundo de muitas exigências, muitas coisas a fazer, cobranças e expectativas. Pois eu lhe digo deixe tudo pela metade, não deixe de fazer, apenas deixe de correr tanto. Correr não faz bem a ninguém, envelhece, produz radicais livres, aumenta o coração e quando você estiver com noventa anos não vai correr no mesmo ritmo, então o seu coração não vai entender porque é tão grande. Apenas caminhe, caminhe sempre e periodicamente. Caminhe próximo da natureza! Ouça o Sabiá, o Soim que pula do galho chamando os outros, interaja com a natureza e faça parte dela. Essa é a primeira dica que eu lhe dou: cinquenta minutos de atividade física três vezes por semana (cinco quilômetros de caminhada). Nos outros dias faça alguma atividade de musculação, Ioga, dança de salão, ou Pilates ( eu faço os Ritos Tibetanos). Apenas mexa-se! Mais duas dicas: durma e coma bem! Para dormir, leia um bom livro, por melhor que ele seja, vai lhe dar sono. Jamais apele para a televisão (a grande vilã da insônia). E melhor do que qualquer remédio para dormir, tome uma taça de vinho tinto, que irá relaxar sua musculatura, ou simplesmente um copo de leite quente com canela. A última dica é o seu alimento. Faça do seu alimento seu medicamento, já dizia Hipócrates. A ansiedade é a maior inimiga da alimentação. Ela faz com que você extrapole o necessário e esqueça-se do verdadeiro prazer do alimento. Não seja glutão, seja gourmet! Na manhã do dia primeiro imagine os seus planos para um ano mais saudável, mais feliz, mais leve e produtivo. Torcemos por um mundo mais saudável, belo e longevo.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Os limites da beleza

Desde o antigo Egito o homem se preocupa com a sua beleza, procura produtos e tratamentos para ter uma melhor aparência. Moedas da época mostraram que Cleópatra não era uma mulher muito bela, tinha o nariz grande e o queixo proeminente, mas ela tinha suas armas: a inteligência, o domínio de várias línguas, muita maquiagem, cremes e tomava seus banhos de leite. De lá para cá muitos tratamentos de beleza foram empregados. Mas, até metade do século XX, eles não passavam de tratamentos cosméticos. Com o advento da cirurgia plástica estética, tudo mudou. No nariz, um cirurgião chamado Joseph, fazia suas rinoplastias externas. Na mama, muitas técnicas foram desenvolvidas, em 1961 Pitanguy desenvolveu sua técnica, que nas décadas seguintes passou a ser uma das mais realizadas no mundo. Em praticamente todas as áreas do corpo havia uma técnica para transformar, buscar a perfeição, interferir na criação. Nunca o poema de Camões foi tão atual: “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser...” Hoje, nós temos os dois lados da moeda, e Cleópatra com certeza teria outra aparência, sendo servida pelos melhores dermatologistas e cirurgiões plásticos do planeta. É neste ponto que eu quero questionar: as fronteiras da beleza, onde as intervenções têm um limite. Algumas vezes, o lado comercial extrapola, as cirurgias e os preenchimentos faciais ultrapassam o que seria natural. A ética e a noção de beleza que os profissionais ligados a estética devem ter é que irão determinar a fronteira do fazer ou não aquele procedimento. O tamanho das próteses de mama, de glúteos, a quantidade de lipoaspiração, a tração feita na face para não esticar demais, todos são procedimentos maravilhosos, mas que têm seus limites. Devemos ter muito cuidado para não transformar o normal no grotesco. Eu prezo muito pela cirurgia minimalista, aquela que não fere a identidade, e fica despercebida. Ainda lutamos para eliminar ou ter uma cicatriz melhor, somos moldados pela anatomia e nunca podemos nos esquecer da fisiologia, preservando sempre a função. Eu gosto de dizer: “a cirurgia plástica não trata da pele, trata da alma.” Para tratar da pele necessitamos desde jovem ter vários cuidados, com a alimentação, a proteção do sol, os cremes, os lasers, ácidos etc. A beleza é sempre encontrada no equilíbrio, a auto-estima recuperada por uma cirurgia plástica bem feita, trata da alma pelo encontro com a alegria, como eu digo: “fazendo as pazes com o espelho”. Nós, cirurgiões plásticos temos esta nobre missão de expandir as fronteiras da beleza, restaurando a felicidade às vezes perdida com o tempo, com os traumas e percalços da vida que levam à obesidade, aos problemas psíquicos. Mas, nem sempre todos são tratados com uma cirurgia plástica. A fagulha da vaidade nunca deve ser apagada, a chama da beleza deve ser alimentada não apenas por fora, mas também por dentro, com o autoconhecimento, a espiritualidade, a vontade de ser cada vez melhor para si e para os outros, transformando a beleza em atos. Em um mundo que necessita ser belo não apenas no “ser”, mas em uma fronteira muito mais distante, no mundo da atitude, do “bem fazer”.