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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Monalisa POP

Monalisa POP (acervo de Veridiana Brasileiro).

Gostar de arte é um dom, fazer arte é um dom maior ainda. Colecionar arte é um privilégio para aqueles que podem, maior ainda quando essa arte é compartilhada com o público. Há quem colecione artistas famosos, estilos específicos, ou apenas arte contemporânea. Mas, colecionar versões de um único quadro é uma ideia genial. E quando esse quadro é a Monalisa?

Conheça os Novos Olhares para Monalisa.
@novos_olhares_para_monalisa


Isaac Furtado

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Cinzas da História




Com muito fogo, mas sem Luz...ia.
Ia a história e a memória, que ironia!
Ela não era uma Fênix. E das cinzas,
somente cinzas ficaram.

Com muita madeira, cupins já se fartaram.
E agora, ossadas de baleias,
de múmias duas vezes foram sepultadas.

Com muita pedra, foi construída.
Foi lar do imperador, de muito resplendor.
Foi a Quinta da Boa Vista, foi apatia.

Com muita água, o fogo findou.
E agora, para onde irá Luzia?
Impressa em 3D de migalhas?
Hipocrisia dizer que algo restou.

Isaac Furtado

02 de setembro de 2018.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Segure firme!



O meu primeiro contato como residente com o professor Ivo Pitanguy foi no corredor da sua clínica. Eu já tinha dito que a princípio, iria apenas observar as cirurgias. Quando, de repente, fui puxado pelo braço - “Venha comigo!”. O professor chamou-me para auxiliá-lo numa cirurgia ambulatorial. Era um paciente com um tumor de ponta nasal, cirurgia feita apenas com anestesia local. Eu já estava mais nervoso do que o paciente. Era um senhor com os seus sessenta anos, com facies pletóricas, e eu pensei - Esse aí vai sangrar muito!
O professor muito educadamente me disse - “a sua função é apertar o nariz para evitar o sangramento”. E assim o fiz. Mas, de vez em quando, na minha inexperiência de R1 eu tentava limpar o campo com gazes, e o professor dizia - “segure firme!” O senhor, por momentos chegou a sorrir, talvez compadecido da minha situação de principiante. E eu, enquanto apertava o nariz, ouvia as palavras sábias do mestre. Ele, sabendo que a escritora Rachel de Queiroz era minha “prima velha”, como a mesma gostava que eu a chamasse, falou-me das histórias da Academia Brasileira de Letras e dos seus ilustres imortais. Enquanto isso, a cirurgia caminhava bem, sangramento a parte.
E eu, segurando o nariz, consegui dizer ao professor, que além de cirurgião era artista plástico. Ele logo se interessou pelo assunto e como um grande amante das artes, também deu a sua aula sobre o assunto. Falou-me de Dali e de outros grandes artistas que faziam parte do seu acervo. Por conta dessa conversa, através do Dr. Francisco Salgado, consegui logo depois uma bolsa da PUC para fazer as ilustrações cirúrgicas do professor, tanto para suas aulas, como para os trabalhos científicos.
Já rodado o retalho, eu estava mais controlado, mas ainda sem respirar normalmente. E apenas após o último ponto, quando percebi que podia soltar o nariz do paciente sem haver sangramento, consegui respirar profundamente. O professor disse - “faça um curativo compressivo”. Assim o fiz, e durante os três anos que estive no serviço, segurei muitos narizes, mamas e faces. Operei muito no terceiro ano da residência, o R3, e voltei para o Ceará com uma certeza: Quando você quer alguma coisa, você tem que segurar firme.

Isso aconteceu em fevereiro de 1993.

Texto publicado no livro Ivo Pitanguy, além do bisturi. Biografia de uma lenda; de Moises Wolfenson. 2017.


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Entrevista com Isaac Furtado sobre cirurgia plástica, arte e saúde.





Como surgiu o interesse pela cirurgia plástica?

Quando decidi fazer medicina já estava pensando na cirurgia plástica. Como artista plástico me agrada muito a ideia de construir o belo.

A quê o senhor atribui o sucesso e o respeito da sociedade com o seu trabalho?
Acredito que a dedicação, a habilidade manual e a seriedade são fundamentais.

Quais as principais dificuldades encontradas desde sua formação até hoje no âmbito profissional?
Entender que existem limitações em alguns resultados. Pois, conforme diz o Prof. Ivo Pitanguy “ o cirurgião, diferentemente do artista plástico, é escravo da anatomia.”

De que maneira avalia o atual mercado de cirurgias plásticas? O senhor acha que a excessiva popularização do segmento é um risco à área?A popularização da cirurgia plástica é consequência dos bons resultados. Já o mercado atual está muito modificado por práticas antiéticas de alguns cirurgiões ( como exposição de fotos de pacientes e muita autopromoção, o que é proibido pelo Conselho Federal de Medicina).

Profissionalmente falando, quais os próximos passos na sua carreira médica?

Esse ano estou completando 20 anos de cirurgia plástica. E ano que vem pretendo construir uma clínica, com uma equipe integrada em prol do bem estar e da beleza.

Se tivesse que arriscar uma resposta, como o senhor acha que estará o mercado de cirurgia plástica daqui a 10 anos? Alguma revolução poderá ser vista em 2025?Como pessoa, qual sua expectativa para a próxima década?A cirurgia estética é um mercado para poucos, e os resultados são lentos. É como o mercado de luxo, acredito que em 10 anos vai melhorar. Acredito que vai surgir muita coisa boa para cicatrização, decorrente de manipulação genética e nanotecnologia. Com relação as técnicas cirúrgicas apenas alguns aperfeiçoamentos e cicatrizes menores.

Parte considerável da classe médica critica de forma veemente o programa “Mais Médicos”. Qual sua avaliação sobre o tema?O médico tem que ter uma boa formação e muitas universidades não oferecem isso. Estando formado, todos procuram um bom salário e condições de trabalho razoáveis. Muitos locais do programa Mais Médicos não oferecem isso. Hoje, a maioria dos brasileiros inscritos no primeiro ano já abandonaram o programa. É uma ajuda muita paliativa.

Qual sua sugestão para uma melhoria do funcionamento da saúde pública no País?
Mais educação e menos corrupção.



O senhor integra o seleto grupo de médicos que estudaram com o professor Ivo Pitanguy. Como define a importância dele em sua carreira?
Não sei como teria sido minha formação e se eu não tivesse participado dessa escola. A filosofia do Professor Pitanguy foi um marco na minha carreira.


Sobre sua veia artística, como teve início?
Desde criança já venho pintando. É um dom que sempre me acompanhou e me ajuda na cirurgia plástica na avaliação de simetria, harmonia e proporção.


Quais artistas mais influenciaram na sua forma de se expressar?
Artistas locais eu citaria: Descartes Gadelha e Antônio Bandeira. Internacionais são muitos! Dos renascentistas, barrocos e impressionistas.


Qual o planejamento a médio prazo para sua carreira artística?
Todo ano faço uma exposição. Além dos livros de poesia. Agora como membro da Academia Cearense de Médicos Escritores, sinto-me na obrigação de divulgar mais ainda nossa cultura.


Como o senhor cuida do corpo, da saúde e da aparência? É um homem vaidoso?
Tudo na medida certa. Mantenho meu peso há mais de 15 anos. Faço atividades aeróbicas, como caminhadas e os Ritos Tibetanos, que oferecem um excelente alongamento e meditação. Vivo na “fogueira das vaidades”, mas procuro não me queimar. A vaidade tem seu ponto de equilíbrio.


De que maneira administra o tempo entre o trabalho e a família?
Faço muitas coisas durante o dia, entre cirurgias, consultório, artes visuais, literatura e família. A ordem dessas atividades altera muito.


Qual seu tipo de música preferida?
Gosto muito de jazz e bossa nova.


O que curte fazer nas horas vagas?
Tomar um bom vinho harmonizado com a gastronomia. Claro, na companhia da minha mulher.


Para finalizar, se pudesse mudar algo no mundo, o que seria?
A solução para tudo está no autoconhecimento, que alcançado através da cultura e da aceitação da nossa impermanência. Temos que aproveitar cada momento, pois, como dizia Horácio: “Carpe diem!”

Entrevista para Coluna Frisson: http://cnews.com.br/frisson/entretenimento/92752/isaac_furtado



segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Educação e Saúde

O estado tem como obrigação oferecer a sua população educação e saúde de qualidade. Itens indispensáveis para qualquer programa de governo. Quando ele atinge uma meta, automaticamente observamos uma melhoria na qualidade de vida e no crescimento econômico. O que não observamos no nosso país atualmente. Meu último artigo era Política e Saúde, praticamente os dois estão unidos como um só, de maneira que falar de educação é falar de política.
Recentemente assisti a um vídeo do economista Ricardo Amorim, onde ele faz um paralelo do Brasil com a Coréia do Sul. Falando da história fictícia de dois garotos de gostam muito de futebol, um Sul-Coreano e o outro Brasileiro. Ele começa uma linha do tempo que se inicia em 1960, onde os dois países têm índices econômicos semelhantes, com escolaridade parecida. Nesses 54 anos, a política de educação e saúde da Coréia do Sul fez mudanças radicais em toda estrutura do país. Conforme o Ricardo fala no texto, eles investiram em três itens: “EDUCAÇÃO, EDUCAÇÃO e EDUCAÇÃO!” No Brasil passamos por muitos desgovernos, golpes militares, supostas democracias e ascensão ao governo de partidos de esquerda. Como nosso artigo fala sobre educação e saúde, vamos aos fatos: Hoje na Coréia do Sul o número de pessoas com nível superior é maior do que 70%, e aqui somos apenas 13%. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) deles é mais do que o dobro do nosso. Então, ele termina a história dizendo que o pai do garoto coreano trabalha na mesma empresa do pai do garoto brasileiro. No entanto, ele é o chefe do chefe do pai brasileiro. E na Copa do Mundo que aconteceu aqui, a família Coreana veio toda para assistir aos jogos e conhecer o Brasil. No entanto, infelizmente a família do garoto brasileiro, que também gosta muito de futebol, não teve condições de comprar um ingresso para um jogo. Bem, a Coréia do Sul é menor do que muitos estados brasileiros. A sua vizinha, a Coréia do Norte, passa por muitas dificuldades (mas, não vamos falar de política), assim como nós, com os nossos pífios 0,3% de crescimento e a nossa saúde pública aos farrapos. Então, ligando os dois pontos, só teremos SAÚDE decente, quando tivermos verdadeiramente uma EDUCAÇÃO séria.