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quarta-feira, 30 de março de 2016

Reflexões & Ações


Existem momentos para agir e outros para refletir. Na cirurgia plástica observamos algumas intervenções intempestivas ou exageradas. Às vezes, o mais difícil é não operar. Dizer não para um paciente pode ser frustante, no entanto pode ser fundamental. A indicação da cirurgia não é apenas clínica, mas também psicológica.
Com 20 anos de atuação na cirurgia plástica, observamos padrões comportamentais em vários grupos. Como a adolescente que quer colocar uma prótese mamária ou fazer uma lipoaspiração; ou uma senhora que quer retomar seu casamento fazendo algumas cirurgias. Ou ainda, os pacientes ex-obesos que fizeram a cirurgia bariátrica e mudaram completamente seu estilo de vida. São padrões comportamentais distintos, e cabe ao cirurgião diagnosticar as alterações, e operar ou não. 
Diante, das distintas possibilidades nas diversas atuações da cirurgia plástica, optamos por intervenções mais discretas, menos invasivas e pontuais (sem muitas cirurgias associadas). Na face, estamos na terceira geração da Ritidoplastia, com cicatrizes bem menores e recuperação mais rápida. Nos pacientes ex-obesos, fizemos um planejamento de 4 regiões bem definidas. No contorno corporal, acrescentamos a Lipoescultura com enxertia na região Glútea.
Desta forma, fazemos o papel de cirurgião plástico, não de esteticista ou dermatologista. Encaminhamos sempre para os melhores Dermatologistas os nossos pacientes para manutenção dos tratamentos, e temos muitos retornos dos mesmos. 
Assim, refletindo para uma melhor conduta, e atuando com a cirurgia mais sensata, obtemos os melhores resultados. Refletindo e agindo!

Isaac Furtado 
CRM 5243 RQE 1429

terça-feira, 1 de abril de 2014

Implantes mamários

Quando, em 1960, Cronin e Gerow desenvolveram o gel de silicone para preenchimento das próteses mamárias, eles não imaginaram até onde chegaríamos. A evolução é constante, quem sabe se daqui a cinquenta anos o silicone seja coisa ultrapassada e os implantes sejam feitos de células-tronco, nas mamas ou em qualquer local onde se queira dar um volume ao corpo. Uma única certeza que temos hoje é que cada vez mais os resultados são melhores e mais pessoas procuram o cirurgião plástico para modelar seu corpo. As mamas são o “carro-chefe” e em todos os aspectos a “comissão de frente”. Há quinze anos, a procura para cirurgia mamária, em 80% dos casos, era para redução das mamas. Hoje, a cirurgia de Mamoplastia redutora não diminuiu, mas a procura para o aumento é tanta que a situação se inverteu. Outra alteração visível é o tamanho das próteses: há vinte anos, em torno de 130cc,; há quinze anos, de 180cc; há cinco anos, de 240cc; e hoje, algo em torno de 300cc. O menor tamanho que ainda utilizamos é de 240cc. Sempre salientamos a importância da proporção, onde, uma mulher de um metro e cinquenta com uma prótese de 300cc fica muito artificial. A globalização (vide padrão americano) nos impõe tamanhos grandes, mas sempre temos que observar a idade, a presença de gestação anterior, as oscilações de peso e o aspecto psicológico da paciente. Falar de prótese de mama é redundante, os resultados estão aí, e já estão consagrados. Mas, e as outras próteses de silicone que podem ser colocadas no corpo? Na face, os implantes de nariz e de orelha não se demonstraram muito eficazes, e os enxertos de cartilagem e osso foram mais efetivos, com integração completa ao organismo. No mento (queixo) a prótese de silicone ainda é muito utilizada, mas as osteotomias estéticas de avanço de mento e a prótese de Hidroxiapatita porosa deixam resultados mais definitivos. No corpo, no entanto, a história é outra. Outras regiões como peitoral masculino, panturilha e a região glútea vêm tomando espaço na mídia e cada vez mais pessoas procuram corrigir estas regiões. O peitoral masculino, assim como o bíceps, em minha opinião, é melhor modelado com a atividade física bem orientada e continuada. Os implantes de panturilha no início deixaram alguns casos insatisfatórios, muitas vezes havia uma queda para o tornozelo da prótese, tendo que ser retirada. As próteses glúteas estão em franca expansão com as novas técnicas. No princípio, os implantes glúteos eram colocados no subcutâneo, abaixo da pele. Muitos resultados ruins, com próteses mostrando irregularidades e assimetrias, tendo que serem retiradas depois. Então resolveram colocar a prótese abaixo do músculo glúteo maior, esteticamente ficavam muito boas, no entanto, a anatomia não permitia colocar no local ideal, pois o nervo ciático era comprimido e o implante novamente tinha que ser retirado. Agora, elas são colocadas dentro do músculo, com resultados bem melhores. Ainda aguardamos uma maior sedimentação da técnica, pois ainda vemos muitos casos de reoperação para retirar hematomas ou reposicionar a prótese, e em outros casos, preenchimentos extras com enxertos de gordura (que também têm suas limitações) são necessários. Os implantes mamários, hoje têm garantia indefinida, não havendo necessidade de troca. As próteses são feitas com gel coesivo e muitas camadas externas oferecem uma resistência muita grande, impedindo rupturas. O desenho dos implantes está evoluindo com uma melhor projeção, já encontramos os modelos "Biodesign" para cada tipo de tórax. É a cirurgia plástica mais realizada!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Os limites da beleza

Desde o antigo Egito o homem se preocupa com a sua beleza, procura produtos e tratamentos para ter uma melhor aparência. Moedas da época mostraram que Cleópatra não era uma mulher muito bela, tinha o nariz grande e o queixo proeminente, mas ela tinha suas armas: a inteligência, o domínio de várias línguas, muita maquiagem, cremes e tomava seus banhos de leite. De lá para cá muitos tratamentos de beleza foram empregados. Mas, até metade do século XX, eles não passavam de tratamentos cosméticos. Com o advento da cirurgia plástica estética, tudo mudou. No nariz, um cirurgião chamado Joseph, fazia suas rinoplastias externas. Na mama, muitas técnicas foram desenvolvidas, em 1961 Pitanguy desenvolveu sua técnica, que nas décadas seguintes passou a ser uma das mais realizadas no mundo. Em praticamente todas as áreas do corpo havia uma técnica para transformar, buscar a perfeição, interferir na criação. Nunca o poema de Camões foi tão atual: “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser...” Hoje, nós temos os dois lados da moeda, e Cleópatra com certeza teria outra aparência, sendo servida pelos melhores dermatologistas e cirurgiões plásticos do planeta. É neste ponto que eu quero questionar: as fronteiras da beleza, onde as intervenções têm um limite. Algumas vezes, o lado comercial extrapola, as cirurgias e os preenchimentos faciais ultrapassam o que seria natural. A ética e a noção de beleza que os profissionais ligados a estética devem ter é que irão determinar a fronteira do fazer ou não aquele procedimento. O tamanho das próteses de mama, de glúteos, a quantidade de lipoaspiração, a tração feita na face para não esticar demais, todos são procedimentos maravilhosos, mas que têm seus limites. Devemos ter muito cuidado para não transformar o normal no grotesco. Eu prezo muito pela cirurgia minimalista, aquela que não fere a identidade, e fica despercebida. Ainda lutamos para eliminar ou ter uma cicatriz melhor, somos moldados pela anatomia e nunca podemos nos esquecer da fisiologia, preservando sempre a função. Eu gosto de dizer: “a cirurgia plástica não trata da pele, trata da alma.” Para tratar da pele necessitamos desde jovem ter vários cuidados, com a alimentação, a proteção do sol, os cremes, os lasers, ácidos etc. A beleza é sempre encontrada no equilíbrio, a auto-estima recuperada por uma cirurgia plástica bem feita, trata da alma pelo encontro com a alegria, como eu digo: “fazendo as pazes com o espelho”. Nós, cirurgiões plásticos temos esta nobre missão de expandir as fronteiras da beleza, restaurando a felicidade às vezes perdida com o tempo, com os traumas e percalços da vida que levam à obesidade, aos problemas psíquicos. Mas, nem sempre todos são tratados com uma cirurgia plástica. A fagulha da vaidade nunca deve ser apagada, a chama da beleza deve ser alimentada não apenas por fora, mas também por dentro, com o autoconhecimento, a espiritualidade, a vontade de ser cada vez melhor para si e para os outros, transformando a beleza em atos. Em um mundo que necessita ser belo não apenas no “ser”, mas em uma fronteira muito mais distante, no mundo da atitude, do “bem fazer”.