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quarta-feira, 1 de março de 2023

FUTURO

 


A janela a ser aberta

A bicicleta na esquina

A sina da supernova

O beijo tão aguardado 

A página a ser virada

A colagem inacabada

A carta de despedida

A ferida a ser fechada

O próximo fevereiro

A primavera em botão 

O cheiro da esperança

A aventura de viver

O destino vaticinado

A sorte do aventureiro

O livre-arbítrio selado

A penumbra do porvir

O mistério do outro lado.



Isaac Furtado 

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

eRRo




RAIVA, um sentimento nada nobre, mas, fazer o que? Somos humanos. Assim, o primeiro R se revela, num ranger de dentes, num tremer de olhos, engolindo a seco, alimentando a biles, num sofrer sozinho. E como errar de novo é fácil! Porém, continuamos pelo caminho, com a velha raiva nos consumindo em alma e carne, em pensamentos e ações. Ela é filha da ignorância com o desespero, e irmã do medo. E como tais é alimentada pela mera consciência da sua existência. Um parasita de si mesmo, uma ideologia sem méritos. Como o escorpião que pede carona ao sapo para atravessar o rio, os dois morrerão. Jamais passe um pano sobre a raiva. Pois, você irá simplesmente espalhá-la no ar como um vírus. Para raiva só existe um antídoto, uma vacina… O amor.

RANCOR, o segundo R que persegue a nossa história. Rancor de não ter a vitória, de nada fazer e tudo perder, de não conseguir esquecer, de se arrepender. Aquele que rima com dor. Andor dos fracos e dos desesperados. Rancor dos mal amados e dos abandonados. Seu maior aliado é a memória, a vívida lembrança de um ocorrido, mesmo que de tempos idos. O seu antídoto não é uma vacina que se repete. Como seria bom se lembrássemos somente dos momentos de alegria!  Infelizmente  não é assim, e para aliviar o rancor, somente um mergulho no rio Lethe. Suas águas frias e sua forte correnteza levarão tudo embora, restará somente o esquecimento. 

Por isso o ERRO tem dois Rs, o da raiva e o do rancor. Pois isso, nesse momento eu te peço por favor, não erre mais de uma vez. Ore para evitar o erro, melhore para viver com retidão. Para raiva uma rosa em botão, para o rancor o perdão.


Isaac Furtado 


quinta-feira, 14 de abril de 2022

O que você vê?

 


O que você vê?

Um olho, um ovo,

ou o coração sagrado?

O que você vê mesmo?

A virtude ou o pecado?

Uma tabula rasa,

ou o número da sua casa?

A primeira letra do seu amor,

vê rancor ou bem querer?


Me diz, o que você vê?

Passagem, Páscoa, transformação?

Arte feita de forma ou abstração?

Vê um globo, uma fenda, 

ou um orifício?

E aí? Está difícil?

Pelo menos me diga a cor,

azul ou amarelo?

Borgonha ou Bordeaux?

Seja lá o que for,

me diga, o que você vê?


Isaac Furtado 

sábado, 19 de março de 2022

CALIGRAFIA



Levei milhares de anos, com traços e pontos cuneiformes para me aperfeiçoar. Arranhei do barro mole, aos pergaminhos dos cordeiros. Das sombras das rupestres, às pedras dos mais altos cumes. 


Desenhei hieróglifos em papiros, esculpi muitas guerras em obeliscos e pirâmides. Estelas foram fincadas no chão, todas dedicadas à glória da eternidade. Criei o zero e o símbolo de multiplicação. Somei tudo buscando uma perfeita equação, um símbolo para o infinito. 


Escrevi o mito do Alfa ao Ômega, agradeço aos gregos e romanos. Escrevi a fé nas tábulas rasas dos profetas por milhares de anos. Sejam eles Celtas, católicos ou muçulmanos. Escrevi a ciência de Hipócrates e de Avicena. 


Sou a beleza escrita, seja nas iluminuras góticas, ou nos calendários Maias, no Kanji japonês ou no cachemir chinês. Numa medina otomana ou num templo indiano. Seja na sinuosa Art nouveau ou nos ângulos da Deco. Eu sou mais que memórias, sou os códigos escritos da história que perdura. E do A ao Z eu sou o teu traço, teu registro, tua assinatura.


Isaac Furtado 




domingo, 4 de abril de 2021

Beleza e Medicina




A beleza está no conjunto da obra. A beleza imortal é o legado contínuo que transcende o corpo. A história da beleza humana através da arte, é a melhor forma de entender a evolução do que era considerado belo. Até o século XX, com a arte se desvencilhando da realidade. E a medicina ajudando na busca da beleza humana como ideal.

A medicina tem como objetivo primordial, prolongar a  saúde e perpetuar a vida o maior tempo possível. Em paralelo, a beleza na natureza também tem o objetivo de perpetuar a vida através do acasalamento. Pois, as espécies mais belas são mais procuradas, fazendo uma seleção natural. 

A história da medicina é muito baseada na Iatro História, muitas tentativas com erros e acertos. Hoje, estamos vivendo o exemplo do Coronavírus.

A primeira ideia de beleza nos vem à mente através da visão. E a citação “ A beleza está nos olhos de quem a vê” do poeta espanhol Ramón de Campoamor y Campoosorio, é a mais vulgarmente declamada.

Durante a evolução da humanidade, muito mudou em relação à beleza. Muitos padrões tornaram-se regras de ouro, outros foram rompidos. Para algumas culturas, pouco mudou. Como certas tribos africanas, onde os adereços ficaram inalterados por milênios. Um exemplo, é a tatuagem feita com espinhos que ferem a pele, findando em queloides. Esses relevos formam desenhos pelo corpo e pelo rosto. Adereços, jóias, cosméticos, todos empregados em nome da beleza.


O substantivo grego clássico para "beleza" era κάλλος, kallos, e o adjetivo para "belo" era καλός, kalos. Em grego koiné, a palavra para bonito ou belo era ὡραῖος, hōraios, um adjetivo que vem da palavra ὥρα, hōra, que significa "hora". No grego koiné, a beleza então era associada a "estar em sua hora / seu momento".  A palavra “bonito” chegou ao português no século 16. Descende do latim bonus (bom), provavelmente depois de uma tabelinha com o espanhol bueno, do qual tomou emprestado o diminutivo. Em resumo: bonito, na origem, é bonzinho. E para não deixar dúvida alguma no ar, “belo” vem do latim bellus, também diminutivo de bonus.


Os tipos de beleza podem ser divididos de três formas: Matemática, Genética e Cultural.

A beleza matemática é analisada de três formas: Harmonia, Proporção e Simetria. 

A harmonia é a ótima relação de proporção entre estruturas de uma determinada região, ou estrutura. Proporção é a relação de medidas constantes e em paralelo à outras estruturas. Como dizia Tomás de Aquino: “Os sentidos exultam ante coisas bem proporcionadas, já que estas se lhes assemelham; pois também os sentidos são uma espécie de razão, assim como qualquer força cognitiva.”

O matemático italiano Leonardo de Pisa, conhecido com Fibonacci, desenvolveu no século XIII uma sequência de números, onde a soma dos dois seguintes davam o valor do próximo. Formando uma espiral encontrada por toda natureza. De uma concha Nautillus, à espiral da Galáxia Via Láctea. 

A simetria dentro da beleza matemática pode ser classificada em: Rotacional, Translacional e Bilateral (Axial). Rotacional vista na Estrela do Mar. Translacional nas colmeias das abelhas. E a Axial é vista no nosso corpo, lado esquerdo e direito, dividida por um eixo axial. 

A beleza genética é transmitida pelas gerações, sofrendo pequenas mutações ao longo do tempo, com evoluções benéficas para sobrevivência da espécie. Os traços, como o tipo de cabelo, cor da pele, formato do nariz, fazem parte da beleza genética. No futuro, a ética na medicina irá determinar os limites, como a cor dos olhos, até altura da pessoa.

Finalmente, a beleza cultural formada pela associação de todos adereços de determinada sociedade. As pinturas corporais, tatuagens, queloides propositais, alongamento do pescoço - Mulheres Girafas na África, os pés pequenos das mulheres chinesas, ou os espartilhos das mulheres nas cortes europeias.

As primeiras representações artísticas eram amuletos para atrair uma boa fecundidade. Conhecidas como Vênus da Fecundidade. A mais antiga é a Vénus de Hohle Fels (35.000 anos. com 6 cm, encontrada em 2008 na Alemanha, com hipertrofia das mamas, e  regiões genitais. As mais famosas são a Vênus Willendorf 23.000 anos e 11 cm), e a Vênus de Laussel, com 46 cm. 

Os primeiros cânones de beleza foram criados no Egito, onde toda história foi transcrita nas paredes das pirâmides, e se eles queriam atingir a imortalidade, de certa forma, conseguiram, pois, seu legado ainda está lá cinco milênios depois. Os baixos relevos e as esculturas nos mostram uma civilização avançada em todos os aspectos, nas artes, medicina, engenharia etc. Os padrões de beleza esculpidos em bustos, como na esplêndida cabeça de Nefertiti, foram copiados pela civilização Grega no seu período arcaico. A fusão das duas civilizações pode ser encontrada em Alexandria, no período Helenístico, que teve seu final trágico na figura de Cleópatra VII, mito que reverberou por séculos, como ícone de beleza. Hoje, sabemos que sua beleza resplandecia não do seu físico, mas da sua capacidade de sedução, no domínio de várias línguas e persuasão.  

Impressionado, disse Napoleão na sua viagem ao Egito em 1798: “Do alto dessas pirâmides, quarenta séculos vos contemplam.” 

A Grécia foi indubitavelmente o berço da civilização ocidental, onde o domínio da escultura chegou ao ápice. As medidas humanas foram transcritas para construir os seus templos, utilizando o número phi (1.618) que era tido como divino, e sua proporção áurea era copiada por todos. Um dos artistas mais consagrados da época foi Policleto, que nos deixou grandes exemplares (como Doríforo, Discóforo, Hércules, Hermes, Hera, Efebo Westmacott, Amazona ferida), todos baseados no seu livro Cânone.

A Vênus de Milo, supostamente de Alexandros de Antioquia, 130 a.C. é um exemplo do perfil Grego. Na face, a região da glabela alta, continuando com o nariz, representa um exemplo deste padrão de beleza.

A história de Frinéia é muito interessante. Uma mulher muito bela na Grécia antiga, que era cobiçada para ser modelo de artistas. Contam que Eutias a acusou de profanar os Mistérios de Elêusis, mas, no momento do seu julgamento, Eurípedes disse: Mas, vêde: não seria doloroso condenar à morte a própria deusa Vênus? Piedade para com a beleza! A beleza a condenou e a salvou.

A história mitológica da Guerra de Tróia, também tem origem com a beleza. Páris escolheu Helena, mulher de Menelau, como recompensa por eleger Afrodite sendo a mais bela, em um concurso entre três deusas. Dando origem à guerra entre Troianos e Atenienses. 

Do outro lado do planeta, a civilização Olmeca, na América Central, com o Povo Jaguar (1500 - 400 aC.) fazia esculturas de cabeças colossais com fácies negróides.

No Brasil, o crânio de Luzia com traços negróides mostra uma civilização anterior aos ameríndios. Com mais de 12 mil anos. 


Umberto Eco, no livro A História da Beleza, nos fala da Beleza Apolínea e da Beleza Dionisíaca. Onde a Apolínea representa a beleza dos cânones, matemática, e a Dionisíaca é mais pela atitude, fugindo dos padrões clássicos.  


Na idade média, a arte volta-se para a religião, adornando igrejas e catedrais.


A obra O Nascimento de Vênus (1478), de Sandro Botticelli (1444 - 1510) é o primeiro tema renascentista exclusivamente leigo e mitológico. Mesma posição pudica é vista em várias Vênus (V. Capitolina, séc. II aC.)

  

No livro De divina proportione, Frade Franciscano Luca Pacioli. Com ilustrações de Leonardo da vinci nos deixou cânones clássicos da beleza. 


Frases clássicas sobre o belo:


“Beleza: onde vejo ordem na variedade, e onde, embora todas as coisas divirjam, todas concordam.”  Alexander Pope (1688 - 1744)


“O prazer com o belo é um deleite narcísico” Hegel.


No início do século XX o modelo de Le Corbusier - LE MODULOR, também era baseado no número Phi. O cubismo retifica a natureza, a estética é desvencilhada da natureza, a arte segue um caminho livre, pois a fotografia passou a cumprir o papel da arte por séculos. Vemos escolas variadas, como o Expressionismo, Impressionismo, Fauvismo, Cubismo, Abstracionismo, Arte moderna e Contemporânea, totalmente desvinculadas da estética.

A beleza na medicina vem da necessidade da reconstrução, principalmente no pós-guerra, com reconstruções de face, queimaduras, órteses de membros, e depois com a estética. Um nome que eu não poderia citar seria do professor Ivo Pitanguy, que nos deixou um legado, como a maior expressão da cirurgia plástica brasileira, elevando o nosso país como referência internacional. Um capítulo novo da medicina e da beleza é a Cirurgia Bariátrica, com a cirurgia geral e a cirurgia plástica tirando os estigmas da obesidade.


Concluindo, a história da beleza é o reflexo do conteúdo cultural da humanidade. A busca da imortalidade através da evolução da medicina. Construindo e desconstruindo, de uma arte feita um círculo sem feições, até múltiplas medidas bem definidas. Evoluindo de proporções corporais como guias exatos, até uma arte contemporânea sem regras, que hoje, não são padrões para a beleza humana. E, sempre, seremos atraídos por uma beleza imortal.


Isaac Furtado
Resumo da palestra Beleza e Medicina. Proferida na Reunião científico-cultural Ordinária, na Academia Cearense de Medicina. Em 11 de março de 2020. 



sábado, 7 de novembro de 2020

Olhar da Rainha




 "Seus olhos são penetrantes

e como torres inflexíveis, 

muralhas impenetráveis.


Seus peões, exército que não recua.

Jamais empata, como na vida,

onde só existem vitória ou derrota.

Jogo de quem não mata, morre.


Seus movimentos adoráveis,

com cavalos galopando livrementes,

e bispos a excomungar infiéis.


Sua precisão é matemática, 

em tabuleiros embriagantes. 

Vislumbrados além da mente,

do teto. Uma rainha cativamente!"


Isaac Furtado  

quinta-feira, 16 de julho de 2020

POVO BRASILEIRO



Somos um país de Sincretismo. Religioso, político e social. Somos o país do futebol. Amálgama de uma terra farta. Somos um nó Górdio, que nunca aparta. Somos um povo valente, plácido e contente.  Somos mais do que dois lados. Filhos de Machado de Assis, Rachel de Queiroz e muitos "brasis". Somos mistura, feijoada, capinha, cocada, pão de queijo e vatapá. Queremos simplesmente amar.

Isaac Furtado

sexta-feira, 10 de julho de 2020


O herói é tudo, só não é covarde.
É preto, pardo, branco.
É forte, baixo, manco.
Discreto, não quer alarde.

O herói é tudo, só não é ladrão. 
É louro, mouro, hetero, homo.
É doutor, soldado ou capitão.

O herói merece toda gratidão,
um grande buquê na glória,
uma medalha na pandemia,
um bronze, alegoria da memória. 

O herói salva um gato,
uma guerra, uma nação.
Não morre não, vira história. 

Isaac Furtado

Arte digital inspirada na obra O HERÓI (1966/2010) de Anna Maria Maiolino. Doada em 2015 para o MASP.

sábado, 20 de junho de 2020

Rio Lete


Somos os reflexos dos nossos atos.
Somos a chuva que deu a vida.
Somos o vento que trouxe a chuva
e mudou os reflexos.
Todos filhos de Maia.
Todos sob o seu véu,
sob turva realidade.

Somos descendentes de Aleteia,
Somos carentes da verdade.
Somos metades parecidas.
Todos mergulhados no Lete.
Todos buscando respostas,
de perguntas esquecidas.

Isaac Furtado

RIO LETE Aquarela e tinta dourada sobre papel. Díptico de 24/36 cm. By Isaac Furtado
Obra baseada na escultura "Amnésia" de Flávio Cerqueira, para o desafio do MASP #maspdesenhosemcasa
Lete literalmente significa "esquecimento". Seu oposto é a palavra grega para "verdade" - Ateleia. Na mitologia grega, Lete é um dos rios do Hades. Aqueles que bebessem de sua água ou, até mesmo, tocassem na sua água experimentariam o completo esquecimento. Fonte Wikipédia.


domingo, 7 de junho de 2020

Our cry is one




#ourcryisone


Por amor!
Nosso grito é um só. 
Então, respeite
sua cor, Seu Deus,
Seu time, sua paixão.

Qualquer cidadão tem dois limites,
entre o seu dever e o seu direito,
sei que existe um só coração.

Portanto, não alimente os lobos
da destruição. Alimente aquele 
que vive, constrói e clama.
Nosso grito é um só. 
Por amor!
.
.

For love!
Our cry is one.
So, respect
your color, your God,
Your team, your passion.

Any citizen has two limits,
between your duty and your right,
I know that there is only one heart.

So don't feed the wolves
of destruction.  Feed that
who lives, builds and cries out.
Our cry is one.
For love!

Isaac Furtado 

quarta-feira, 20 de maio de 2020

A MESA DA CRIAÇÃO



A mesa da criação estava posta. A luz, o verbo e a proposta de tudo que existe. A inspiração veio da Sistina, obra-prima do mestre Renascentista. Afresco central que foi o primeiro passo daquela construção. Mas, sobre aquela mesa não havia garfos, nem facas. Postos quase em simetria, estavam o Criador e a criatura. Figuras que depois de dias de trabalho misturaram-se, ficaram somente ossos expostos, descarnados de qualquer dor. Articulados em extensão, na ânsia por um encontro, uma arrebatação. E no toque da falange distal fez-se Adão, arremedo de um único projeto. Homem faltante e faltoso, bom e maldoso na amálgama da confusão. Sedento por sua Eva, ansioso por um ato, uma consumação, um pecado ignorado.
De lá para cá muita história aconteceu, o fogo de Prometeu, os romances de Voltaire, o tempo inventado com ponteiros a nos lembrar. Mas, o tempo não gira, ele apenas segue. Fugidio como a areia que escorre por entre os nossos dedos, como a sombra que passa sob os nossos pés. "Tempus fugit"!
Nós somos criaturas de dupla essência, uma alma pedinte por salvação e um corpo sedento por paixão. Mas, quem vencerá? O vírus ou a vacina? O tempo ou a sorte? O Sol ou a neblina? A pergunta ou a resposta? Quem será mais forte no poema de Kipling, o rei ou a plebe? Quem será de se senhor, nessa vida que segue?
Eu apenas pinto velas e esfinges, mementos da nossa impermanência. Transcedo o triste momento, seguindo a minha vontade. Criando esboços sobre espuma de sabão. Sou súdito de uma beleza, de uma lunática ambição, a imortalidade.

Isaac Furtado 

sábado, 16 de maio de 2020

Patuás e Canários


Um vento estranho soprou do Oriente.
Não foi o pólen das margaridas que ele levou.
Tão pouco, disseminou o amor entre os homens.
Rapidamente ele cruzou montanhas,
mares, barreiras intransponíveis.

Ele foi rápido e atroz! Secando o trigal
de repente, nas primeiras horas de
uma manhã dormente.
Os dois pilares dóricos não foram fortes
o suficiente, e o mundo inteiro quase desabou. 

Era um vento sem tempestade,
e nenhuma folha se mexia,
somente homens tombavam.
Pessoas fugiram para suas casas,
com seus sonhos, patuás e canários.

A primavera passou ao largo,
sem cheiros ou amores.
O rei invasor foi um vento tirano,
avassalador e soprou, soprou.
Humilhando Átila, Gengis Gan
e Nabucodonosor.

Doravante, mais do que sorte precisaremos,
e o clichê dos três "F"s fez-se reticente.
Foco na organização do lar, do trabalho,
corpo e mente.
Força para atravessar tormentas
e nadar contra a corrente.
Fé, pois amanhã será diferente.

Assim, como um dia foi, uma tarde é,
uma noite será melhor, ou pior de repente,
mas nunca será indiferente.
Do trigo seco fez-se pão, e de um ninho
displicente nasceu um pequeno rebento.

Foi quando todos saíram de casa,
agora mais atentos,
olhando sempre para o horizonte.
O mundo era agora diferente,
estávamos vacinados,
vigilantes.


Isaac Furtado 

quinta-feira, 7 de maio de 2020

A vida e a pasta de dente


Hoje pela manhã enquanto eu escovava os meus dentes, pensei no momento difícil em que estamos todos passando. Parei, olhando para o espelho nos olhos por alguns segundos. Coloquei o tubo de pasta de dente já meio espremido ao lado e refleti. Como a vida é frágil! E como ela está maltratada! Seria a vida um tubo de pasta de dente? Tão barato? Tão pouco lembrado? 
Nos momentos difíceis é que damos valor às pequenas coisas. Observamos os detalhes mais banais, valorizamos os que estão distantes, e sentimos falta da liberdade. Só nos resta então cuidar melhor de que está ao nosso redor. Ser mais atento em tudo, no que ouvimos e falamos. Sempre aprendendo mais para ser melhor. Mas, não para você mesmo, e sim para poder ajudar ao próximo. Pois, só seremos melhores juntos.
Assim, como o tubo de pasta de dente, a vida um dia irá acabar. Entre o começo do tubo cheio e lustroso, e o fim enrugado e espremido, nunca pensamos nele. Assim também é a vida, só pensamos nela perto do fim. Enrolamos e apertamos para sair a última gota vital. A diferença é que o tubo você pode ver se está perto de acabar, a vida não. Portanto, para ter um sorriso melhor, use os dois com prudência. Eles podem durar o dobro do tempo!


Fortaleza, 07 de maio de 2020. 

Isaac Furtado 

sábado, 27 de abril de 2019

Vírus



Meio vivo, meio morto ele segue.
Qual a sua essência? O seu papel?
Será que foi destinado por deuses
a nos acompanhar pela eternidade?

Mas, ele voa, congela e consegue.
Já sinto nos olhos uma dormência,
na boca o amargo gosto do fel,
e a febre me arde sem piedade.

Muito busca por seu hospedeiro.
Não por amor, ou por dinheiro.
Apenas para se dividir, pois
nem de sexo ele precisa.

Mal sabe se é um herói, um bêbado,
um condenado, ele investe certeiro.
Sem emoção, nem bem, nem mal,
apenas busca por um herdeiro.

Mito de três letras, somos primos
moleculares. Será que evoluímos?
Ele apenas se esquiva e transmuta.
Nos resta fortaleza e resistência.

Muitos tombaram aos seus pés.
Diminuto ser, se podemos dizer,
que habita em tudo, em todos.
Uma peste, da morte um viés.

Mais um espirro, um latejo na fronte.
Suplico por uma vacina para dor,
um chá quente. A semana já passou,
e ainda não vejo um horizonte.

Isaac Furtado

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Monalisa POP

Monalisa POP (acervo de Veridiana Brasileiro).

Gostar de arte é um dom, fazer arte é um dom maior ainda. Colecionar arte é um privilégio para aqueles que podem, maior ainda quando essa arte é compartilhada com o público. Há quem colecione artistas famosos, estilos específicos, ou apenas arte contemporânea. Mas, colecionar versões de um único quadro é uma ideia genial. E quando esse quadro é a Monalisa?

Conheça os Novos Olhares para Monalisa.
@novos_olhares_para_monalisa


Isaac Furtado