terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Drogas


O que faz uma pessoa entrar para o mundo das drogas? O que faz uma pessoa fazer tráfico de drogas?
Falta de estrutura familiar? Influência dos amigos? Namoro? Buscar o desconhecido? Ganhar dinheiro fácil no tráfico de drogas?
Recentemente tivemos o caso do brasileiro que foi condenado e sentenciado à pena de morte por tráfico de drogas na Indonésia. Ele sabia dos riscos e não teve um final feliz. Não sou a favor da pena de morte, mas o caso nos fez refletir sobre toda estrutura que as drogas movimentam, toda violência e criminalidade que está ligada diretamente às drogas.
Mas, o que é considerado droga?
Existem as drogas lícitas como cigarro e o álcool, que são aceitáveis. O cigarro causa danos principalmente ao seu usuário, no entanto, pode ser um caminho mais fácil para o uso da maconha, que por sua vez, em alguns casos, é o primeiro degrau para outras drogas mais pesadas. E o álcool é o responsável por muitos estragos na sociedade. O excesso do uso de bebidas alcoólicas é o principal causador de acidentes automobilísticos, e muito associado a crimes banais e passionais.
As drogas são encontradas há milênios na História da Civilização. Inicialmente era usada em cerimônias religiosas, na forma de chás ou infusões. O ópio faz parte da história chinesa de longa data, e já foi causador de guerras. A Cocaína é conhecida pelos povos pré-colombianos, como os Incas, mascando suas folhas para aumentar a resistência no trabalho e combater os efeitos da altitude. Não satisfeito com as drogas encontradas na natureza, o homem começou a sintetizá-las. Nos anos setenta, muitas personalidades e artistas buscaram aventuras com drogas sintéticas, como o LSD, e muitos morreram nas suas viagens lisérgicas.
Atualmente, muito se fala da liberação da Maconha para uso medicamentoso, e até mesmo, como droga. Não acredito que seja a solução para o problema do narcotráfico. O problema seria resolvido com uma educação rigorosa aos danos causados pelo uso das drogas. E principalmente, com o combate à produção e punição severa ao tráfico. Porque então não é resolvido? O submundo da droga está infiltrado em todas as camadas da sociedade, o que dificulta muito, pois ela circula da favela à “high-society”.
A droga deixa um rastro de destruição por onde passa, arrasa lares e esperanças. Um caminho quase sempre sem volta, que interrompe carreiras de artistas, cantores e trabalhadores anônimos. Uma das mais avassaladoras drogas que foi desenvolvida recentemente, é o crack. A mais viciante das todas, dizem que na segunda vez o usuário está viciado. O crack é de grosso modo, a borra da Cocaína, e assim tem um preço muito barato, o que torna sua difusão muito fácil. O crack deixa seu usuário como um zumbi, e são famosas as Cracolândias encontradas nas grandes cidades. No interior, nas pequenas cidades, o crack também está cada vez mais presente entre jovens e pessoas desinformadas que acabam entrando na criminalidade para conseguirem se manter na droga. É o fim da linha!O que fazer então? Aos pais, recomendo ficarem de olho nos seus filhos, suas amizades e comportamentos diferentes. Aos educadores, uma orientação permanente dos males causados pelas drogas. E às autoridades, mais seriedade no cumprimento das leis, punindo todos os envolvidos nessa rede maléfica.


Publicado no Jornal Gazeta do Centro-Oeste. 01 de fevereiro de 2015.
Arte: Isaac Furtado. Do livro Caderno 47.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Pestes

A história do homem sempre foi acompanhada por catástrofes relacionadas à pestes. Mas, o que é realmente considerado uma peste? Nós, cearenses com os nossos neologismos incluímos "Cabra da Peste", com uma conotação de um homem acostumado a vencer todas as pragas (as pestes) do sertão. Mas, o que realmente é uma peste? A primeira grande peste se deu na Europa e Ásia, no século XIV (1333 a 1351) e dizimou em torno de 50 milhões de pessoas. Conhecida como a Peste Negra, ela foi uma das maiores calamidades da humanidade. Transmitida por pulgas de ratos-pretos contaminadas com a bactéria Yersinia pestis. No entanto, na época pouco se sabia de sua causa e muitos foram considerados os culpados pela epidemia, teve inclusive conotações religiosas. Outra grande epidemia foi a causada pelo Cólera. Desde o início da humanidade se tem notícia de vários surtos, mas a primeira grande epidemia foi no século XIX (1817 a 1824). A bactéria Vibrio cholerae causou estragos em muitos intestinos e suas mutações foram agravando seu quadro ao longo da história. No século XX, a Gripe Espanhola assombrou o mundo no início (1918), assim como a AIDS o fez no final do século, e ainda está aí contaminando milhões de pessoas. Outras "pestes" como a Tuberculose, a Malária e a Varíola foram e ainda são fantasmas que rodam, principalmente, os países pobres do terceiro mundo. A "peste" da vez é o Ebola, um vírus de contágio pelo toque e por secreções, que ainda está basicamente restrito à África, e nos apavora pelo seu alto grau de mortalidade. Portanto, temos que estar sempre alertas aos cuidados básicos de saúde. O simples fato de lavar as mãos já ajuda muito. O cuidado com o lixo, a contaminação da água e alimentos, tudo é importante para evitar contagio e transmissão de todos esses males. E, se você é realmente um Cabra da Peste, faça sua parte como cidadão! O planeta e os nossos herdeiros desde já agradecem!

Isaac Furtado

Arte de Marion Bolognesi

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Educação e Saúde

O estado tem como obrigação oferecer a sua população educação e saúde de qualidade. Itens indispensáveis para qualquer programa de governo. Quando ele atinge uma meta, automaticamente observamos uma melhoria na qualidade de vida e no crescimento econômico. O que não observamos no nosso país atualmente. Meu último artigo era Política e Saúde, praticamente os dois estão unidos como um só, de maneira que falar de educação é falar de política.
Recentemente assisti a um vídeo do economista Ricardo Amorim, onde ele faz um paralelo do Brasil com a Coréia do Sul. Falando da história fictícia de dois garotos de gostam muito de futebol, um Sul-Coreano e o outro Brasileiro. Ele começa uma linha do tempo que se inicia em 1960, onde os dois países têm índices econômicos semelhantes, com escolaridade parecida. Nesses 54 anos, a política de educação e saúde da Coréia do Sul fez mudanças radicais em toda estrutura do país. Conforme o Ricardo fala no texto, eles investiram em três itens: “EDUCAÇÃO, EDUCAÇÃO e EDUCAÇÃO!” No Brasil passamos por muitos desgovernos, golpes militares, supostas democracias e ascensão ao governo de partidos de esquerda. Como nosso artigo fala sobre educação e saúde, vamos aos fatos: Hoje na Coréia do Sul o número de pessoas com nível superior é maior do que 70%, e aqui somos apenas 13%. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) deles é mais do que o dobro do nosso. Então, ele termina a história dizendo que o pai do garoto coreano trabalha na mesma empresa do pai do garoto brasileiro. No entanto, ele é o chefe do chefe do pai brasileiro. E na Copa do Mundo que aconteceu aqui, a família Coreana veio toda para assistir aos jogos e conhecer o Brasil. No entanto, infelizmente a família do garoto brasileiro, que também gosta muito de futebol, não teve condições de comprar um ingresso para um jogo. Bem, a Coréia do Sul é menor do que muitos estados brasileiros. A sua vizinha, a Coréia do Norte, passa por muitas dificuldades (mas, não vamos falar de política), assim como nós, com os nossos pífios 0,3% de crescimento e a nossa saúde pública aos farrapos. Então, ligando os dois pontos, só teremos SAÚDE decente, quando tivermos verdadeiramente uma EDUCAÇÃO séria.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Paradoxo - Política e Saúde

Nas vésperas das eleições, eu fico vendo o absurdo de dinheiro gasto com as campanhas políticas, ou na compra direta de votos, principalmente no interior. De uma forma ou de outra, quase todos são comprados. Quanto vale o seu voto?
Vivemos numa nação dita democrática, pois temos dentre outras liberdades, a sublime condição de elegermos os nossos governantes. No dia da eleição é só você e a urna, mas muita história se passa entre estes dois pontos. Voltas e mais voltas, conchavos e acordos selam a sua opção. Lembro de Goethe, com o seu célebre “Fausto”. Lembro de Oscar Wilde com o seu imortal “Retrato de Dorian Grey”. Todos venderam sua alma em troca de algo. Em troca da beleza, da imortalidade, de riquezas as mais diversas. Muitas almas estão empenhadas nessas eleições. E muitos nós devem ser desfeitos para podermos dizer de peito aberto: Vivemos numa Democracia. Hoje, infelizmente, diria que estamos numa “Corruptocracia” regida por um Nó Górdio. Nó esse, que só poderá ser desfeito de duas maneiras. A primeira, Alexandre, o grande, já o fez na base da espada. A segunda é muito mais lenta e correta. Desfeita no curso de mais de uma geração. Soltando o nó com muito cuidado, às custas da educação do seu povo. Não apenas investindo na educação técnica, mas, principalmente, na educação moral e ética. Do exemplo passado de pai para filho, de governantes para governados. De outra maneira, como poderemos fazer o correto, se nós não temos exemplos para seguir? E a saúde, onde fica? Vejo em todos os discursos a mesma promessa de educação, saúde, segurança… Vejo ideologias passarem, esquerda ou direita, de nada vale quando se chega no poder. Os projetos ditos populares visam apenas uma coisa, o seu voto para as próximas eleições. Como já falei antes, não precisamos de mais médicos apenas, mas, de mais SAÚDE! E o SUS que poderia ser um grande exemplo mundial, hoje se encontra no limite da bancarrota. Todos os hospitais, de Norte a Sul, estão superlotados, com pacientes que demoram semanas nos corredores, internados de maneira sub-humana. No entanto, a saúde é o maior cabo eleitoral existente neste País. Quantas cirurgias já foram feitas na troca de votos? Quantos óculos, cesarianas e dentaduras foram barganhados? E depois das eleições tudo se acaba, tudo é esquecido, tudo é adiado para daqui a quatro anos. Enfim, eu me interrogo inocentemente: Quanto será o montante total gasto nessas eleições? Pagaríamos nossa dívida externa com esse dinheiro? Construiríamos quantos hospitais? Quantas escolas? Mas, não. Vemos apenas cavaletes espalhados pelas calçadas, com belas fotos embelecidas por Photoshop. Vemos apenas promessas desgastadas, notas de cem reais esquecidas em bolsos, parcerias fáusticas seladas na calada da noite. Saibam que, quem vende a própria alma- pode ter a certeza- um dia será cobrado, na saúde ou na doença. Será que algum dia a antinomia da Política e da Moral irá acabar? Artigo publicado no jornal Gazeta do Centro-Oeste. 16 de setembro de 2014. Imagem: trabalho de Damien Hirst

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Planejamento das Cirurgias Plásticas no paciente Ex-obeso

A cirurgia plástica no Ex-obeso é hoje uma nova categoria dentro da especialidade. São cirurgias que envolvem um cuidado redobrado, tanto na parte clínica (com atenção para anemia), como na parte cirúrgica (pelo risco aumentado de hematomas e deiscências das suturas). Elas são feitas em praticamente todas as regiões do corpo, devido à quantidade de pele que sobra após a grande redução ponderal. Na face: a Ritidoplastia (lift), e a Blefaroplastia (pálpebras); no corpo: Mastopexia com prótese de mama, Abdominoplastia (normal, em Âncora, ou Circunferencial, quando necessário), Flancoplastia, Gluteoplastia, Lift de braços e de coxas, e Toracoplastia. Quando os cirurgiões plásticos começaram a fazer estas cirurgias, não havia ainda uma padronização, ou adaptação para estes pacientes ex-obesos. Muitas complicações eram devido aos grandes descolamentos, que hoje, sabemos serem desnecessários. Grandes transformações foram feitas para melhorar o tratamento destes pacientes. As primeiras Gastroplastias eram abertas, com grandes incisões medianas acima do umbigo. Logo, no tratamento do abdome as incisões medianas eram feitas com mais frequência. Hoje, com as cirurgias por vídeo, as pequenas incisões resultantes nos fazem optar por outro tipo de abdominoplastia, a circunferencial. No entanto, o abdome é apenas um capítulo à parte dos pacientes ex-obesos. Temos que ver o todo, avaliando sempre o lado psicológico destes pacientes, e planejar muito bem a sequência e a associação das cirurgias a serem feitas. Optamos por fazer uma divisão do corpo em quatro partes: 1- face e pescoço; 2- mama, tórax e braços; 3- abdome e dorso; e 4- coxas e pernas. Desta maneira, com quatro cirurgias podemos tratar todas as regiões, quando indicadas, ou necessárias. A ordem delas pode ser optada pelo paciente, sendo, normalmente, aquela região que mais o incomoda, a primeira. A parte 1 é mais acometida em pacientes acima dos quarenta anos, com flacidez no terço médio e inferior da face, e principalmente, no pescoço. O tratamento para estes casos é a Ritidoplastia (ou Lift facial), com preenchimentos faciais posteriormente. A parte 2 é bem extensa, e pode ser necessária uma cirurgia mais ampla, a Toracobraquio-mamoplastia, normalmente com colocação de próteses de mamas. Onde são tratados os braços, a lateral do tórax, e a ptose mamária (presente em praticamente 100% dos casos). A parte 3 é tratada com a Abdominoplastia, que muitas vezes tem uma cicatriz estendida posteriormente, para tratamento dos flancos e dorso (a Abdominoplastia circunferencial), o abdome em Âncora, com cicatriz mediana é deixado para casos mais extremos. Em alguns casos, pode ser utilizado o excesso de tecido lateral dos flancos como retalho para preenchimento da região glútea. A parte 4, normalmente, é a última a ser feita, com a retirada da flacidez das coxas, com a Cruroplastia, ou Lift crural. Com uma cicatriz que desce pela região inguinal, coxa interna, até no joelho. Todas as cirurgias realizadas nestes pacientes têm como objetivo aumentar sua auto-estima. Mesmo com muitas cicatrizes, o tratamento retira os últimos estigmas da obesidade extrema, ao eliminar o grande excesso de pele. Matéria publicada no Jornal Gazeta do Centro-Oeste

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Envelhecer ou não, eis a questão.

O envelhecimento da face é um processo lento e progressivo que envolve vários fatores, como: a exposição solar, a alimentação, a limpeza e a hidratação da pele. A face é uma das regiões do corpo mais atingida, e os sinais aparecem a partir dos quarenta anos, com rugas e manchas. A nossa face é o cartão postal de todo corpo, e hoje temos muitos recursos para mantermos o nosso rosto jovial e belo. A medicina em prol da estética melhora em todos os aspectos. Nas estruturas profundas, temos um grande avanço nas cirurgias Buco-maxilofaciais, com cirurgias de reposicionamento ósseo, as Osteotomias Estéticas da Face. Na odontologia, os implantes dentários, os clareamentos e as cirurgias ortognáticas produzem arcadas dentárias cada dia mais perfeitas. Superficialmente, a Dermatologia também atua de forma radical. Tanto em produtos farmacológicos, com cremes produzidos a base de nanotecnologia, que agem nas camadas mais profundas da derme; como, com aparelhos mais potentes, que fazem pellings mais precisos, e estimulam o colágeno efetivamente ( como o Ulthera, o Triactive, e os Lasers já conhecidos). Na cirurgia plástica, caminhamos cada dia para resultados mais naturais. Respeitando a anatomia de cada paciente e evitando trações exageradas, que retiram as características individuais. Ainda são tratamentos caros, mas quando bem indicados, podem fazer mudanças de anos na face, trazendo benefícios incomensuráveis para aqueles que se incomodam com suas rugas. Nesse intuito desenvolvemos um conceito, o FACI (Facial Anti-aging Complete Improvement). A filosofia do FACI é exatamente a união das especialidades, com um acompanhamento integrado entre a cirurgia plástica, a dermatologia e as outras áreas afins. Dessa forma, iríamos amplificar os recursos, com uma melhor continuidade dos tratamentos. Onde a naturalidade e a satisfação dos pacientes serão os objetivos finais. O melhoramento facial completo contra o envelhecimento – FACI é a associação integrada com a mesma rotina e o mesmo conceito. O Dermatologista indica (quando necessário): os Pellings, as Máscaras, os Lasers, a Toxina botulínica (Botox) e os Cremes para o uso diário. Já o Cirurgião Plástico indica (quando necessário): a Ritidoplastia (cirurgia de face), a Blefaroplastia (cirurgia dos olhos) e os Preenchimentos Faciais (que podem ser feitos pelos dois especialistas).
A Ritidoplastia (ou Facelift) desse conceito, busca um resultado natural e com retorno rápido para as atividades. Alguns estigmas vistos no passado, como: o aumento da boca, a distorção da anatomia dos olhos ou a retirada do pé do cabelo (na costeleta) são alterações inadmissíveis para os padrões atuais. Essa cirurgia é feita com um descolamento mais reduzido da pele, com o reposicionamento da gordura abaixo (a plicatura do SMAS), retirando-se os excessos de pele após uma tração mais efetiva dos retalhos, e o resultado final apresenta uma cicatriz menor e mais escondida. Também pode ser feita uma Lipoaspiração no pescoço, para que haja uma melhor definição da mandíbula e do submento (abaixo do queixo). Após a cirurgia (em torno de três semanas), aquelas rugas que ainda ficaram, devem ser tratadas com preenchimentos faciais. O melhor e mais seguro é o Ácido Hialurônico, produto que dura aproximadamente doze meses. Hoje, ele vem associado a um anestésico, diminuindo a dor no período após a aplicação. Esse produto pode ser reaplicado quando necessário, mas deve-se ficar atendo aos exageros. O tratamento dermatológico continua no período do pós-operatório, ajudando a manter os resultados da cirurgia. Todos esses tratamentos devem ser feitos em conjunto, seguindo uma filosofia e um conceito de naturalidade, sempre em busca do equilíbrio e do bem-estar do paciente.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Nariz, beleza e função

O nariz é o traço mais marcante da nossa identidade, a estrutura anatômica mais representativa da nossa face. Na fisiologia do nariz, basicamente a sua função primordial, é a respiração, por onde inspiramos, e o ar passa, sendo filtrado pelos pequenos pelos das narinas, aquecido e umidificado pelos cornetos, até chegar aos pulmões. Temos os Otorinolaringologistas para operar a parte funcional do nariz, alguns até aventuram-se em fazer cirurgias de Rinoplastia, mas nada supera a formação da cirurgia plástica na abordagem estética do nariz.
As cirurgias reparadoras no nariz já eram feitas há muitos séculos. Na antiguidade, na Índia e no Egito, havia um costume de amputar este órgão de inimigos e delinquentes deixando sequelas dramáticas. Um médico chamado Susrutha realizava reconstrução com retalhos de pele da região frontal da face (conhecido como Retalho Indiano). No Renascimento, na Itália, técnicas de reconstrução nasal com retalhos braquiais, eram feitas por Tagliacozzi, um anatomista de Bolonha, que divulgou a técnica para o mundo. No entanto, apenas no início do século XX a cirurgia estética teve sua origem, e como precursor, o cirurgião alemão Joseph deixou uma técnica e instrumentais cirúrgicos que são utilizados até hoje, com cicatrizes internas. Durante décadas o conceito mais empregado foi o de redução nasal, onde eram tratadas as estruturas ósseas com fratura, e as estruturas de cartilagem eram retiradas e reduzidas. O resultado ainda era insatisfatório, pois deixava estigmas, com restrições na respiração em alguns casos. O conceito de Rinoplastia de adição surgiu após, muitas vezes utilizado na correção de cirurgias anteriores. Muitos enxertos eram utilizados, para elevar e definir melhor a ponta nasal. A técnica aberta de nariz (com pequena cicatriz abaixo, na columela) foi desenvolvida no final do século XX, sendo aprimorada, e hoje apresenta excelentes resultados na Rinoplastia. O conceito atual é de Rinoplastia Estruturada, onde o equilíbrio entre o que é retirado e o adicionado determina uma estrutura forte, funcional e maleável. O mais importante na avaliação do nariz é observar a harmonia e a proporção deste com a face. O que pode ser feito com o estudo da Perfiloplastia, onde ângulos e medidas fixas da face e do nariz são avaliados entre si. No entanto, a visão artística e global do cirurgião é de fundamental importância para que haja um resultado natural e previsível da Rinoplastia. Devemos respeitar inicialmente, a vontade do paciente, ouvindo sua queixa (qual é o local que mais lhe incomoda) fazendo uma cirurgia dentro dos limites da naturalidade. Outro aspecto importante, é esclarecer o que será feito e indicar os locais das cicatrizes (que são muito imperceptíveis). Finalmente, explicar que o resultado é lento, devido o edema (inchaço), até um ano pós-operatório existem mudanças discretas. Informando sobre as limitações da técnica, conforme o tipo de pele, ou as assimetrias acentuadas. Toda cirurgia pode ficar boa, ótima, ou pode ser necessária uma nova intervenção, mas, principalmente, que não existe a perfeição. A Rinoplastia é indiscutivelmente a cirurgia que exige melhor domínio da técnica e maior olhar artístico do cirurgião. Este fulcro situado no centro da nossa face, pode ser grande ou pequeno, árabe ou de boneca, mas sempre será uma pequena porção da nossa personalidade.